MLS entra na reta final com técnicos sob pressão e decisões cada vez mais delicadas


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MLS entra na reta final com técnicos sob pressão e decisões cada vez mais delicadas

A pressão sobre os treinadores da FIFA MLS voltou ao centro do debate justamente quando a temporada cruza sua metade e o espaço para mudanças grandes fica menor. Em tese, esse seria o momento de estabilidade; na prática, vários clubes seguem em cenários frágeis, com campanhas abaixo do esperado e dúvidas que já não cabem mais no discurso de paciência.

Depois da pausa para a Copa do Mundo, as equipes já têm uma fotografia mais clara do que podem oferecer. Algumas embaladas, como St. Louis CITY e Philadelphia Union, encontraram respostas recentes. Outras, porém, continuam travadas no mesmo ponto de partida. É nesse grupo que aparecem nomes pesados do futebol norte-americano, com situações que vão de resultados ruins a projetos que ainda não se traduziram em desempenho convincente.

Tata Martino e o dilema do Atlanta United

Entre os casos mais sensíveis está o de Tata Martino no Atlanta United. Quando assumiu, o argentino deixou claro que o trabalho seria de construção, com foco em médio prazo. A meta imediata era chegar aos playoffs, deixando a lembrança do título da MLS Cup, conquistado em sua primeira passagem, como referência para etapas futuras.

O problema é que a evolução esperada ainda não apareceu com nitidez. Em 18 jogos, o Atlanta soma apenas 12 pontos e três vitórias. A derrota mais recente, por 3 a 2 para o Philadelphia Union, também expôs fragilidades duras de engolir: a equipe abriu 2 a 0 e segurou a vantagem até os 73 minutos, embora estivesse com um homem a menos.

Numa leitura comum de mercado, um cenário assim aproximaria qualquer técnico da demissão. No caso de Martino, no entanto, a direção parece seguir em outra direção. O clube mexeu no elenco, liberou Emmanuel Latte Lath por empréstimo ao Union Berlin e ainda monitora a possibilidade de contratar Romelu Lukaku. A mensagem é clara: há confiança no treinador, mesmo que os resultados ainda não sustentem essa aposta com tranquilidade.

MLS e os riscos de apostar no processo em San Diego

O caso de Mikey Varas no San Diego FC é diferente, mas igualmente revelador. Antes da temporada de estreia, era difícil prever o tamanho real do time. O clube apostou em Chucky Lozano como nome de peso e cercou o elenco com reforços estrangeiros interessantes. Depois, escolheu um técnico sem experiência anterior em nível sênior. Era uma aposta ousada, e, por algum tempo, pareceu promissora.

O San Diego começou bem, jogou um futebol agradável, venceu a Conferência Oeste e chegou às semifinais da conferência. Ainda assim, havia sinais de alerta. Os 41 gols sofridos já não eram animadores, e o desgaste entre Varas e Lozano sugeria que nem tudo estava em harmonia.

Agora, o quadro é bem mais preocupante. O time aparece apenas na 13ª posição do Oeste, venceu cinco vezes no ano e caminha para fechar a campanha com cerca de 10 vitórias, metade do que havia planejado para 2025. O ataque segue funcionando em parte, mas a defesa virou um problema recorrente. A insistência no jogo de posse tem cobrado um preço alto em erros, e os números ajudam a explicar o tamanho da queda: a equipe está entre as piores da liga em xG concedido, é lanterna em cortes e está na parte de baixo das tabelas de desarmes.

Greg Vanney tem respaldo, mas o rendimento do LA Galaxy não convence

No LA Galaxy, o respaldo a Greg Vanney nunca oscilou de forma pública. Há motivos para isso. Ele conquistou a MLS Cup em 2024 e passou boa parte do ciclo seguinte tentando reorganizar o time sem Riqui Puig, seu principal jogador. Mesmo assim, o clube tentou ajudá-lo no mercado. Chegou a buscar Jacob Glesnes, sondou Casemiro e, nesta última semana, fechou as chegadas de Chucky Lozano e Sergi Roberto.

Esses movimentos indicam ambição, ainda que tenham custado a saída de Gabriel Pec. O ponto central, porém, continua sendo o mesmo: a equipe não responde dentro de campo na proporção do investimento e da confiança recebida. O Galaxy ocupa apenas a 12ª colocação no Oeste e não vence uma partida de MLS desde 16 de maio.

O formato estranho da competição ainda mantém o clube a dois pontos da zona de classificação aos playoffs, o que preserva uma margem mínima de esperança. Mesmo assim, é difícil olhar para a campanha e ver uma condução técnica realmente convincente. O elenco não parece tão frágil a ponto de justificar tamanho sufoco.

Robin Fraser e o Toronto FC sem saída clara

Se há um caso que mistura desgaste e resignação, ele está em Toronto. O clube passou cerca de 18 meses em processo de reformulação, deixando para trás Lorenzo Insigne e Federico Bernardeschi, dois nomes que ficaram abaixo do impacto esperado na MLS. Em contrapartida, chegaram jogadores de nível alto, como Josh Sargent, Walker Zimmerman e Djordje Mihailovic.

O curioso é que, mesmo com esse rearranjo, o Toronto não vence uma partida de MLS desde abril. A equipe empata mais do que qualquer outra do campeonato, mas o volume de igualdades virou sinônimo de mediocridade de baixa intensidade. Não há colapso total, apenas uma dificuldade persistente para transformar elenco em desempenho.

Robin Fraser ainda aparece como uma constante nesse quadro. Seu retrospecto pelo clube é de 9 vitórias, 22 empates e 23 derrotas. A sensação, no entanto, é de que a eventual troca já deveria ter acontecido. O time está em reconstrução dentro de campo e tudo indica que a mudança de comando é questão de tempo. Seria uma surpresa grande vê-lo abrir a próxima temporada ainda no cargo.

Brian Schmetzer vive a pior sequência no Seattle Sounders

Entre todos os nomes da lista, Brian Schmetzer talvez seja o que mais representa continuidade na MLS. Há uma velha regra não escrita em Seattle: o Sounders costuma chegar aos playoffs sob sua liderança. A regularidade do treinador sempre compensou oscilações de elenco e de fase, mas essa lógica foi profundamente abalada.

O clube atravessa uma sequência de sete derrotas seguidas, recorde negativo da franquia. A goleada por 3 a 0 diante do Toluca, fora de casa, também pesou na percepção geral, especialmente pelo volume assustador de finalizações do rival, que chegou a 40 tentativas.

Lesões ajudam a entender parte do problema. Paul Arriola se juntou a Jordan Morris e Cristian Roldan no departamento médico. Ainda assim, Schmetzer é justamente o tipo de treinador que costuma encontrar saída em contextos assim. Por isso, sua permanência não está em debate. Demiti-lo seria injusto e pouco sensato. O que o Seattle precisa, acima de tudo, é recuperar saúde física e competitividade rapidamente.

Raphael Wicky, Sporting KC e a cobrança por um projeto que ainda não engrenou

O Sporting KC também vive uma fase de reconstrução, embora em outro estágio. Quando David Lee assumiu como gerente geral, ficou claro que o clube entraria em um ciclo de paciência. Peter Vermes havia deixado o comando em março de 2025, após 16 anos, e o time já vinha mal antes disso. A temporada terminou ainda pior, com lanterna do Oeste e apenas uma vitória depois de julho.

Lee apostou em Raphael Wicky, ex-treinador do Chicago Fire e de seleções de base dos Estados Unidos, além de ex-comandante de sucesso no Young Boys, da Suíça. A escolha dividiu opiniões desde o início. O técnico é ofensivo por natureza, mas o problema do Sporting está do outro lado: são quatro vitórias e 46 gols sofridos em 18 partidas, número que acende um alerta real para a consistência defensiva.

O clube, aliás, não ficou parado no mercado. A direção teria até perseguido Mo Salah e investiu pesado na contratação de Andre Luiz, vindo do Olympiacos. A dúvida agora é se Wicky será o nome a conduzir a próxima etapa da reconstrução ou se essa transição pedirá outro comando antes do previsto.

Autor

Jornalista esportivo sênior | 11 anos de experiência

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Carlos Mendes é jornalista esportivo sênior com 11 anos de experiência na mídia esportiva brasileira e internacional. Formado em Jornalismo pela Universidade de São Paulo (USP). Especializado no Campeonato Brasileiro Série A, Copa Libertadores e jogos da Seleção Brasileira. Ao longo da carreira, cobriu diversas edições da Copa América e outros grandes torneios internacionais. Segue um princípio claro: todo conteúdo deve ser baseado exclusivamente em fontes verificadas e estatísticas oficiais. No Ganhador24, é responsável pela análise pré-jogo, cobertura de torneios e análises aprofundadas dos principais eventos da temporada futebolística.

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