Keito Nakamura vira alvo de clubes da Premier League após brilho com a seleção japonesa
Keito Nakamura voltou a chamar atenção em um palco global, e a FIFA foi testemunha de mais uma campanha em que o atacante japonês deixou boa impressão. Aos 26 anos, ele combina técnica, presença ofensiva e uma trajetória curiosa, que começou com status de promessa e hoje o coloca no radar de clubes da Premier League e de outras ligas fortes da Europa.
A passagem da seleção japonesa pela Copa do Mundo terminou antes do esperado, com a eliminação para o Brasil. O revés foi doloroso, e as imagens de jogadores emocionados em campo, agradecendo a torcida, rodaram o mundo. Nesse cenário, Nakamura saiu valorizado: marcou um gol, deu uma assistência e foi um dos nomes mais consistentes do time.
O destaque de Keito Nakamura no Mundial
Entre as atuações do Japão no torneio, a mais marcante de Nakamura veio contra a Holanda, em um empate por 2 a 2. Ele apareceu bem aberto pela esquerda, cortou para dentro, ajeitou o corpo e finalizou com força, surpreendendo o goleiro Bart Verbruggen no primeiro pau. Foi um lance que resumiu bem seu estilo: direto, técnico e agressivo na definição.
Essa jogada não surgiu por acaso. Desde cedo, Nakamura repetiu exercícios de coordenação e finalização com dedicação incomum. Um vídeo exibido pela televisão japonesa mostrou o atacante ainda criança, treinando com bolinhas de pingue-pongue lançadas pela mãe, num trabalho de reflexo e controle que ele mais tarde associou à melhora nas voleios. O detalhe ajuda a explicar a precisão que hoje chama atenção na Europa.
Keito Nakamura e a formação de um atacante diferente
O caminho até o futebol profissional também teve um componente raro. Quando tinha cerca de sete anos, Nakamura insistiu tanto para viajar ao Brasil que os pais aceitaram levá-lo. O motivo era simples: ele era fã de Ronaldinho e queria conhecer de perto o país que o encantou pela forma como tratava a bola.
Lá, o japonês viveu o chamado “jogo bonito” nas ruas, convivendo com crianças locais e observando um futebol mais instintivo, solto e criativo. Em um episódio no aeroporto, enquanto fazia embaixadinhas com a bola, acabou atraindo segurança e funcionários, que se juntaram à brincadeira. Para ele, aquela experiência ajudou a moldar sua leitura de jogo e sua espontaneidade com a bola nos pés.
Mais tarde, o atacante também lembraria que foi muito impactado pela naturalidade com que os brasileiros jogavam. Esse repertório ficou visível na forma como se move entre linhas, dribla em velocidade e finaliza depois de cortar para a perna direita. Não é um extremo de enfeite; é um atacante que tenta resolver a jogada.
Da promessa no Japão ao impacto na Europa
Nakamura iniciou a trajetória no Mitsubishi Yowa SC e ganhou projeção ao ser contratado pelo Gamba Osaka aos 17 anos, rapidamente estreando no time principal. A reputação de grande talento se consolidou ainda cedo, especialmente depois de marcar quatro gols na Copa do Mundo Sub-17 de 2017.
As primeiras experiências na Europa, porém, não foram imediatas. Passagens por FC Twente, na Holanda, e Sint-Truiden, na Bélgica, serviram mais como etapa de adaptação do que como ponto de virada. O salto real aconteceu apenas no LASK Linz, da Áustria, onde o atacante finalmente encaixou ritmo e produtividade.
Em 59 partidas pelo clube austríaco, ele anotou 23 gols e deu cinco assistências, somando Bundesliga e Conference League. Foi o suficiente para atrair o Stade Reims, então na elite francesa, e abrir uma nova fase da carreira.
Keito Nakamura e o peso que assumiu no Stade Reims
No Stade Reims, Nakamura virou peça central rapidamente. Ao longo de três temporadas, consolidou-se como o jogador mais confiável do setor ofensivo e carregou boa parte da produção da equipe, especialmente no período mais complicado do clube. Na campanha de 2024/25, ele foi o principal ponto de luz de um time que lutava contra o rebaixamento.
Naquele campeonato, o japonês marcou 11 gols e deu duas assistências. Os números ganharam ainda mais peso porque representaram mais de um terço dos 33 gols do Reims na liga. Mesmo assim, a equipe não conseguiu escapar da queda: perdeu o playoff de rebaixamento para o Metz e acabou rebaixada para a Ligue 2.
Na segunda divisão, o atacante manteve a regularidade. Foram 14 gols e três assistências em um elenco que marcou 53 vezes na competição. Ou seja, Nakamura continuou sendo decisivo, mesmo em um contexto de menor visibilidade e maior dificuldade coletiva.
Mercado aquece e saída parece cada vez mais provável
O bom momento na seleção e a consistência no futebol francês naturalmente elevaram seu valor de mercado. O Olympique de Marseille está entre os interessados, e clubes ingleses como Everton, Bournemouth e Fulham também monitoram a situação do jogador. A expectativa é de movimentação nas próximas semanas.
Para um atacante com esse perfil, seguir na segunda divisão francesa parece pouco compatível com o estágio atual da carreira. O próprio cenário aponta para uma transferência em breve, embora ainda não haja desfecho oficial. O que existe, por ora, é a sensação de que Nakamura está pronto para um passo maior.
O contexto também abre espaço para uma curiosa coincidência esportiva. Kaoru Mitoma, outro nome relevante do ataque japonês, ficou fora do Mundial por lesão. Nakamura ocupou esse espaço em grande estilo, e agora existe até a possibilidade de que os dois venham a dividir protagonismo no futebol inglês em breve.
Se isso acontecer, o Japão terá dois jogadores de frente em uma vitrine ainda mais forte. Para Nakamura, seria apenas a continuação de uma trajetória que começou como promessa, passou por vários testes na Europa e agora parece madura para um novo salto.