Jessica Berman projeta a NWSL para 2027 e detalha mudanças no calendário, mídia e desenvolvimento
A NWSL entrou no segundo turno da temporada com a sensação de que o campeonato vive um bom momento dentro e fora de campo. E foi justamente esse cenário que a comissária Jessica Berman aproveitou para desenhar o futuro da liga em sua coletiva de meio de temporada, em Nova York, com anúncios que passam por calendário, direitos de mídia, base, segurança e estrutura institucional.
Entre os temas, a dirigente tratou da relação com a U.S. Soccer, da mudança no início da temporada de 2027, do novo NWSL Foundation, da parceria com a Gerber voltada ao apoio de mães e dos planos para o Championship de 2026. Houve ainda espaço para comentar o mercado de transmissão depois do rompimento com a Victory+, além de uma discussão sobre a criação de uma segunda divisão.
O diálogo com a U.S. Soccer ganhou força
Um dos recados mais consistentes da coletiva foi o de alinhamento com a U.S. Soccer. Berman afirmou que a liga e a entidade máxima do futebol nos Estados Unidos avançaram bastante nos últimos 12 meses, especialmente na construção de caminhos melhores para o desenvolvimento de jogadoras.
Na leitura dela, esse trabalho conjunto pode mexer na base da pirâmide. A ideia é fortalecer o elenco de talentos disponível para a NWSL e, ao mesmo tempo, ajudar a seleção e toda a estrutura do futebol feminino no país.
O tom foi de continuidade. Berman indicou que esse tipo de cooperação deve seguir como prioridade, com a expectativa de que os efeitos apareçam nos próximos meses e anos, não de forma imediata.
NWSL 2027 começa no fim de semana do Super Bowl
A mudança mais chamativa no calendário veio em 2027. A temporada começará em fevereiro, no início mais cedo da história da liga, com a Challenge Cup em 6 de fevereiro e a rodada de abertura em 11 de fevereiro. A partida inaugural será no BMO Stadium, casa do Angel City FC, em Los Angeles, poucos dias antes do Super Bowl, que acontecerá no SoFi Stadium, nas proximidades.
A escolha não foi por acaso. Berman deixou claro que a intenção é colocar a NWSL no centro de um dos anos mais importantes da história do futebol feminino, aproveitando a exposição de um fim de semana que costuma dominar a agenda esportiva nos Estados Unidos.
O raciocínio é parecido com o que a liga já tentou ao se aproximar de grandes eventos do futebol masculino. Desta vez, a leitura é de que o Super Bowl pode funcionar como vitrine, especialmente com a ESPN como parceira de transmissão.
Depois da abertura em clima de grande evento, a NWSL seguirá com seu modelo habitual de 30 partidas na temporada regular, agora com 16 equipes. Berman também lembrou que a Copa do Mundo Feminina oferece outra oportunidade de ampliar a visibilidade da liga e de seus atletas.
Calendário da NWSL mira a vitrine da Copa do Mundo Feminina
O planejamento para 2027 não mira apenas o Super Bowl. A comissária vê a Copa do Mundo Feminina como outro marco capaz de impulsionar interesse, audiência e engajamento. Por isso, o calendário foi desenhado para colocar a liga tanto na preparação quanto na sequência do torneio.
Na prática, a NWSL quer estar presente antes e depois do grande evento, oferecendo contexto competitivo e jogadoras já em ritmo alto. É uma aposta clara em timing e exposição, algo cada vez mais relevante em um mercado que disputa atenção com muitas outras propriedades esportivas.
Esse tipo de encaixe também conversa com a ambição comercial da liga. Quanto maior o nível de atenção ao futebol feminino, maiores tendem a ser as oportunidades de crescimento de marca, audiência e receita.
Fim da parceria com Victory+ acelera busca por novos direitos
Outro ponto sensível da coletiva foi a saída abrupta da Victory+ do acordo de transmissão. A parceria não resistiu sequer à primeira temporada completa, depois de relatos de inadimplência da plataforma em meio a dificuldades financeiras mais amplas.
Com isso, todos os jogos que estavam previstos para a Victory+ migraram para a NWSL+, onde seguem disponíveis gratuitamente para o público. Berman tratou essa transição como relativamente tranquila, principalmente porque a liga já tinha uma alternativa própria para garantir continuidade ao torcedor.
Ao mesmo tempo, ela reconheceu que a NWSL está avaliando caminhos para o restante desta temporada e para o próximo ciclo. A direção entende que streaming e ambiente digital são centrais para alcançar a nova geração de fãs, e as conversas com o mercado continuam abertas.
O episódio, porém, expõe o desafio de acertar a mão no modelo de distribuição. A liga quer ampliar alcance sem perder estabilidade, um equilíbrio que nem sempre é simples no atual cenário dos direitos esportivos.
Segunda divisão, clima e segurança seguem em análise na NWSL
Além da mídia, Berman também foi questionada sobre temas estruturais e operacionais. A possível criação de uma segunda divisão continua em análise, sem prazo ou formato definidos. Segundo ela, esse é justamente o espaço mais carente de investimento e organização no futebol feminino norte-americano.
Por enquanto, não há novidade concreta. A liga admite que está avaliando como, quando e até se essa nova camada da pirâmide deve ser criada. O debate, no entanto, segue vivo, especialmente porque a disputa por talentos e a necessidade de reter jogadoras dependem de uma estrutura mais ampla.
Na parte esportiva e regulatória, Berman ainda abordou os protocolos de calor, hidratação e qualidade do ar. Ela disse que a NWSL trabalha com dados da temporada para revisar suas políticas e citou especialistas externos, como o Korey Stringer Institute, além da equipe médica da liga.
O recado foi de prudência. Se as condições exigirem mudanças, a liga admite que pode ajustar suas regras ao fim da temporada. A preocupação é manter o jogo seguro sem perder a fluidez que o calendário exige.