McBurnie volta à Escócia pronto para apagar a seca e mudar a própria história


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McBurnie volta à Escócia pronto para apagar a seca e mudar a própria história

Oli McBurnie chega de volta à seleção da Escócia com uma mistura rara de alívio, maturidade e vontade de provar valor. Depois de cinco anos marcados por ausências, polêmicas e frustração, o atacante do Hull City finalmente reencontrou espaço no grupo e quer transformar essa chance em algo concreto: o primeiro gol com a camisa nacional.

Na preparação para os jogos da Liga das Nações contra a Eslovênia, a Suíça e a Macedônia do Norte, o centroavante falou abertamente sobre o passado, as críticas e a sensação de ter desperdiçado oportunidades anteriores. Agora, porém, a atmosfera é outra. Com o novo técnico Sébastien Pocognoli, ele voltou a ser observado com olhos frescos e aparece como favorito para comandar o ataque no duelo de sábado, em Ljubljana.

Um retorno que parecia improvável

McBurnie reconhece que houve momentos em que a porta da seleção pareceu fechada de vez. Aos 30 anos, ele admite que a distância da camisa escocesa foi longa e difícil de encarar, sobretudo porque, quando esteve no grupo pela última vez, ainda se via como um jovem em fase de formação. Com o tempo, segundo ele, a percepção mudou, assim como a relação com a própria trajetória.

O atacante afirmou que não ofereceu a melhor versão de si nem como jogador nem como pessoa em sua passagem anterior pela seleção. A autocrítica é direta e ajuda a explicar o tom mais sereno das declarações atuais. McBurnie agradeceu a oportunidade recebida e disse que será eternamente grato ao treinador por recolocá-lo no radar.

McBurnie e a chance de virar a página com a Escócia

A volta ao grupo só aconteceu porque a troca no comando abriu um novo capítulo. Enquanto Steve Clarke manteve uma posição mais rígida em relação ao atacante, Pocognoli decidiu olhar para a fase atual do jogador. A leitura foi favorecida pelo rendimento no Hull City, onde McBurnie viveu uma temporada forte, com 19 gols no último campeonato e papel decisivo no acesso à Premier League.

O gol mais marcante veio no fim da final dos playoffs contra o Middlesbrough, aos 95 minutos, em lance que levou o Hull à elite inglesa. Nesta temporada, ele ainda não balançou as redes, mas continua sendo elogiado pelo desempenho e pela presença de área. Isso pesa a favor de sua titularidade diante da Eslovênia, em um momento em que a Escócia busca soluções ofensivas mais consistentes.

As pendências com Clarke e a imagem pública do atacante

O nome de Steve Clarke inevitavelmente reaparece quando McBurnie fala sobre a seleção. O atacante tratou o assunto com diplomacia, dizendo que o ex-técnico teve seus próprios motivos para as decisões tomadas. Antes de a convocação para a Copa do Mundo ser definida, ele chegou a telefonar para perguntar se ainda tinha alguma chance, mas acabou fora da lista.

McBurnie contou que ficou arrasado com a exclusão. Para ele, representar o país em uma Copa do Mundo seria o auge da carreira. Mesmo assim, procurou deixar claro que não houve atritos pessoais na conversa com Clarke, embora o episódio tenha ajudado a consolidar uma percepção externa de que ele seria um problema no elenco.

Dentro do ambiente da seleção, a imagem descrita é outra. O atacante se define como um companheiro de equipe intenso, barulhento e competitivo, mas alguém em quem colegas podem confiar. A fama de jogador difícil, segundo ele, nasceu de interpretações feitas de fora, sem base real no que acontecia no vestiário.

A polêmica antiga e a mudança de postura de McBurnie

Parte da resistência em torno do seu retorno também vem de um vídeo de 2019, quando ele ainda defendia o Sheffield United. Na gravação, McBurnie aparecia ao lado de John Fleck dizendo que esperava não ser convocado pela Escócia. A frase repercutiu mal e continuou sendo usada como argumento por quem duvidava de sua relação com a seleção.

Ele explicou que o comentário surgiu em um contexto informal e que costuma usar o humor como mecanismo de proteção. Ainda assim, admitiu que foi um erro, especialmente porque não imaginava que o material ganharia tanta exposição. Na ocasião, telefonou para Clarke, pediu desculpas e ouviu que também deveria se retratar com os demais jogadores.

McBurnie reconhece que era imaturo naquela fase da carreira. Disse que tinha cerca de 23 anos, pouca estabilidade emocional e tendência a se esconder atrás de respostas provocativas. Hoje, vê a própria postura como distinta. Afirma ter crescido, estar mais confiante e menos inclinado a falar por insegurança.

Família, maturidade e a busca pelo primeiro gol pela seleção

As mudanças fora de campo também ajudam a explicar o tom de reconciliação. Desde a última vez em que vestiu a camisa da Escócia, McBurnie teve filhos, ficou noivo e morou por um período na Espanha, quando atuou pelo Las Palmas. Essas experiências, segundo ele, ampliaram seu olhar sobre a vida e o fizeram valorizar mais cada convocação.

Agora, as prioridades são outras. Tudo o que decide passa pela família, e isso, na avaliação do atacante, o tornou mais equilibrado e até melhor como jogador. Ao mesmo tempo, ele garante que o lado competitivo continua intacto. Quer ser incômodo para a defesa adversária e não se importa se isso o torna pouco simpático ao outro lado.

No futebol de seleções, porém, falta ainda o detalhe mais cobrado: o gol. McBurnie passou 16 partidas pela Escócia sem marcar e sabe que essa ausência pesa. Ele não esconde a ansiedade por encerrar o jejum, nem o desejo de que o primeiro gol venha de qualquer maneira, seja um toque simples, uma sobra na pequena área ou até uma bola desviada de forma inesperada.

Entre o passado turbulento e o presente recomposto, o atacante chegou ao ponto que tanto aguardava. Pocognoli lhe deu a oportunidade. Agora, em Ljubljana, cabe a McBurnie transformar reencontro em resposta — e, quem sabe, finalmente mostrar o que a Escócia passou todo esse tempo sem ver.

Para mais informações sobre a competição, consulte a FIFA.

Autor

Jornalista esportiva e Editora | 12 anos de experiência

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Fernanda Castelo é jornalista esportiva e editora com 12 anos de experiência na mídia digital e impressa. Graduada em Jornalismo pela PUC-SP, com especialização em Gestão Esportiva. Especializada no futebol de clubes brasileiro, mercado de transferências e aspectos financeiros do esporte. Acredita que o jornalismo esportivo deve ser honesto com o torcedor — sem clickbait e sem rumores não verificados. No Ganhador24, supervisiona a política editorial e produz conteúdos sobre o futebol de clubes no Brasil.

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