Marrocos vence o Gabão, mas a noite também expôs quem brilhou e quem ficou devendo
FIFA Marrocos começou a caminhada nas eliminatórias da CAN 2027 com uma vitória segura sobre o Gabão por 2 a 0, mas o placar só contou parte da história. O time de Mohamed Ouahbi dominou quase tudo, controlou a posse, finalizou mais e passou boa parte do jogo com a sensação de que o resultado poderia ter sido definido antes.
Com cerca de 70% de posse de bola e 14 chutes contra 4, os Leões do Atlas impuseram seu ritmo desde cedo. Ainda assim, a confirmação só veio nos minutos finais, quando o segundo gol saiu aos 84 minutos. O duelo, além dos três pontos, deixou leituras individuais bem claras.
Aguerd, Mazraoui e Ounahi comandam a análise sobre o Marrocos
Chamado para avaliar o desempenho marroquino, Mohammed Sahil destacou três nomes acima dos demais: Nayef Aguerd, Noussair Mazraoui e Azzedine Ounahi. Para o ex-jogador, os três tiveram peso real na construção da vitória, cada um à sua maneira.
Aguerd foi descrito como um defensor maduro, capaz de manter a retaguarda tranquila justamente quando o Gabão passou a arriscar mais depois do intervalo. Sahil valorizou não só a segurança nas disputas, mas também a leitura das transições adversárias. Numa partida em que o rival tentou sair mais no segundo tempo, esse tipo de controle fez diferença.
Na mesma linha, o ex-internacional lembrou o papel de Yassine Bounou nas poucas chegadas mais perigosas dos gaboneses. O goleiro apareceu bem quando precisou, mas, na avaliação de Sahil, Aguerd foi o nome que mais ajudou a sustentar a solidez defensiva marroquina.
Marrocos x Gabão: Mazraoui decide e Ounahi incomoda entre as linhas
Se Aguerd transmitiu segurança, Mazraoui foi o jogador que rompeu a resistência do adversário. Aos 36 minutos, ele aproveitou a sobra de bola para soltar uma finalização forte e abrir o placar. O lance resumiu bem sua atuação: não ficou preso à função defensiva e assumiu protagonismo no momento em que o jogo pedia iniciativa.
Sahil foi direto ao apontar que Mazraoui fez mais do que defender. Segundo ele, o lateral foi um dos motores da superioridade marroquina, participando da construção das jogadas e oferecendo soluções pelo corredor em que atuou. Foi uma atuação completa, com influência além da estatística do gol.
O terceiro destaque foi Ounahi. Mesmo sem marcar, o meio-campista chamou atenção pela mobilidade e pela capacidade de procurar espaços entre as linhas. Ele chegou perto de deixar o dele, mas parou na trave em uma das tentativas. Para Sahil, a produção do jogador vai além das finalizações: ele trabalhou para desmontar a organização defensiva do Gabão por dentro.
Em parceria com Ayyoub Bouaddi, Ounahi também deu mais fluidez ao meio-campo. Essa conexão ajudou o Marrocos a circular a bola com mais naturalidade e a manter o adversário recuado por longos períodos.
Yassir Zabiri, Gessime Yassine e Neil El Aynaoui ficam abaixo do esperado
Nem tudo, porém, foi elogio. Sahil fez questão de separar três jogadores que, na sua leitura, ficaram abaixo do que poderiam oferecer: Yassir Zabiri, Gessime Yassine e Neil El Aynaoui. A ressalva foi importante. Ele não falou em atuação ruim, e sim em rendimento menor do que a expectativa criada pela superioridade coletiva.
Zabiri começou como referência no ataque, com a confiança de Mohamed Ouahbi, mas teve pouca presença nas zonas mais perigosas. O problema, para Sahil, não foi falta de vontade. O entrave esteve na dificuldade para transformar a posse e os espaços criados em chances realmente claras. Quando saiu aos 62 minutos para a entrada de Soufiane Rahimi, a dinâmica ofensiva mudou.
Rahimi, com menos tempo em campo, entregou mais objetividade. Foi ele quem fechou o placar aos 84 minutos, após assistência de Bilal El Khannouss, e acabou reforçando a sensação de que o Marrocos precisava de mais contundência na frente.
Gessime Yassine também não conseguiu repetir, no lado direito, o tipo de impacto normalmente associado àquele setor. Sem Achraf Hakimi, a equipe perdeu parte da profundidade habitual por ali, e o jogo passou a fluir mais pelo outro lado, além das ações de Ounahi e Mazraoui. Ilias Akhomach entrou justamente para dar nova energia ao corredor.
Já Neil El Aynaoui deixou a impressão de ter participado bem do trabalho sem bola, mas sem a precisão necessária perto da área. Ele teve uma boa chance na primeira etapa, após passe de Abdessamad Ezzalzouli, e não converteu. Em jogos de domínio tão amplo, a leitura de Sahil foi clara: chances assim precisam ser aproveitadas mais cedo.
Vitória útil, mas com margem para crescer na eficiência
No plano coletivo, o Marrocos controlou quase todos os setores do campo. A equipe tentou construir desde a defesa, movimentar o bloco gabonês e abrir espaços pelo centro. A proposta funcionou, mas a definição demorou mais do que o esperado. Até o segundo gol, o jogo seguiu com algum grau de tensão.
O Gabão até ensaiou uma resposta na etapa final, principalmente quando avançou suas linhas e encontrou espaço nas costas da defesa marroquina. Nesse trecho, Bounou foi importante para segurar a vantagem mínima. A entrada de nomes como Rahimi, Akhomach, Bilal El Khannouss e Abdellah Ouazane renovou a intensidade e ajudou a fechar a conta.
O saldo final é positivo. O Marrocos largou com vitória, manteve o gol zerado e mostrou peças capazes de decidir em diferentes zonas do campo. Ao mesmo tempo, a estreia também deixou um recado simples: com tanta posse e volume, a equipe pode ser mais cruel na hora de matar o jogo.
Para Mohammed Ouahbi, o teste valeu não só pelos três pontos, mas pelas pistas sobre quem pode oferecer soluções distintas ao longo da campanha. O início é animador, embora a lição mais evidente tenha sido a necessidade de converter domínio em placar com mais rapidez.