Dembele estreia como centroavante na França, mas recebe leitura dividida
Ousmane Dembélé viveu uma novidade importante pela seleção da França ao atuar pela primeira vez como centroavante na vitória por 1 a 0 sobre a Turquia, na sexta-feira, pela Liga das Nações. A mudança de posição chamou atenção porque abre espaço para um novo arranjo ofensivo, com Kylian Mbappé partindo da esquerda e o atacante do Paris Saint-Germain ocupando a referência mais adiantada.
Dentro de campo, porém, a avaliação não foi unânime. Dembélé saiu satisfeito com a experiência e considerou natural o papel exercido no centro do ataque, já que passou a temporada atuando nessa função no PSG. Fora dele, a leitura foi bem mais dura, sobretudo na imprensa francesa, que enxergou uma atuação abaixo do esperado.
A estreia de Dembele no comando do ataque
O contexto do jogo ajudava a tornar o teste ainda mais relevante. Com Mbappé aberto pela esquerda, a seleção francesa buscou um desenho ofensivo diferente do habitual, entregando a Dembélé a missão de atuar como falso 9. A ideia era aproveitar sua mobilidade entrelinhas e a capacidade de pressionar a saída rival.
Na prática, o atacante teve momentos de influência, mas sem grande continuidade. Ele apareceu em uma boa jogada ao servir Cherki aos 41 minutos, uma das poucas ações em que conseguiu dar profundidade ao ataque francês. Ainda assim, a atuação perdeu força depois do intervalo, quando deixou escapar a marcação no lance que terminou na cabeçada de Yüksek, aos 50.
Dembele divide opiniões após atuação discreta
A discrepância entre percepção e avaliação ficou evidente na análise pós-jogo. Dembélé afirmou ter se sentido muito bem na função central e destacou que não se tratava de algo novo para ele, já que vem desempenhando papel semelhante no Paris Saint-Germain ao longo da temporada.
O tom, no entanto, foi mais crítico na avaliação de um dos principais jornais esportivos da França, que atribuiu nota 4 ao atacante. A justificativa apontou dificuldade para receber a bola na zona em que costuma ser acionado pelo PSG, além de pouca presença ofensiva constante. Em uma das raras participações mais incisivas, conseguiu gerar perigo, mas isso não bastou para mudar a impressão geral.
Zidane aprova Dembele e valoriza a pressão sem bola
Se a imprensa ficou dividida, o treinador da seleção adotou um discurso bem mais favorável. Ele elogiou a inteligência do atacante na pressão e tratou a atuação como positiva, ressaltando justamente um dos aspectos mais valorizados nesse tipo de função: a capacidade de incomodar a saída de bola adversária.
Para Dembélé, esse respaldo pesa. Em uma fase em que a França ajusta sua formação ofensiva e Mbappé ganha novo papel, a avaliação do técnico pode ter mais peso do que a crítica de uma partida isolada. O desempenho contra a Turquia talvez não tenha sido brilhante, mas deixou claro que o camisa 11 ainda é opção real para o centro do ataque.
O que a mudança pode representar para a França
A experiência também ajuda a desenhar um cenário mais amplo para a seleção. Com Mbappé por fora e Dembélé por dentro, a França ganha uma alternativa de mobilidade, embora ainda precise de mais entrosamento para transformar essa ideia em volume ofensivo constante. O jogo em solo turco mostrou potencial, mas também expôs limitações naturais de uma formação em fase de testes.
Por ora, o saldo é de observação. Dembélé gostou da posição, o treinador aprovou e a crítica tratou de colocar freio na empolgação. Entre uma leitura e outra, a França segue buscando equilíbrio para encaixar suas principais peças sem perder profundidade nem imprevisibilidade no ataque.