Mooney volta a atacar projeto de Infantino e reforça oposição à reeleição na Fifa
A FIFA voltou ao centro de uma disputa política depois que Jonathan Mooney, líder da federação galesa, renovou as críticas ao presidente Gianni Infantino. A fala ganhou peso porque ocorre em meio à pressão crescente sobre o dirigente suíço, especialmente após o recuo no polêmico projeto Fifa Forward Enterprise (FFE), que previa a venda de participações em torneios como a Copa do Mundo para investidores privados.
Mooney deixou claro que a federação do País de Gales não deve apoiar a tentativa de Infantino de seguir no comando da entidade. Para ele, o cargo de presidente da Fifa exige alguém que proteja o jogo, e não alguém disposto a negociar partes do futebol com o mercado financeiro. A mensagem é dura, mas dialoga com a reação negativa que o plano provocou em várias associações nacionais.
Críticas ao FFE expõem desgaste político na Fifa
O projeto abortado de Infantino abriu uma frente de desgaste importante dentro da estrutura da Fifa. A ideia de atrair capital privado por meio de fatias de competições tradicionais encontrou forte resistência, sobretudo entre dirigentes que veem esse tipo de movimento como uma ameaça ao controle esportivo das federações.
O País de Gales foi um dos primeiros membros a retirar apoio à continuidade do suíço na presidência. Agora, com a eleição marcada para março de 2027, a pressão só tende a aumentar. Os opositores têm até 18 de novembro para articular um nome alternativo, o que torna o cenário ainda mais aberto e politicamente sensível.
Mooney defende repasse de recursos, não privatização
Na entrevista à BBC Radio Wales Phone In, Mooney insistiu que a prioridade deveria ser outra. Em vez de buscar investidores privados, a Fifa deveria usar suas reservas bilionárias para financiar diretamente o desenvolvimento do jogo, com mais campos, infraestrutura e apoio às bases.
O dirigente galês também lembrou que a entidade já acumula cifras gigantescas. Segundo sua leitura, a Copa do Mundo não precisa de private equity, porque a Fifa dispõe de bilhões em caixa. A cobrança dele é simples: que esse dinheiro chegue mais rápido às federações e aos projetos que sustentam o futebol fora dos grandes centros.
Receita da Copa cresce, e federações pedem mais retorno
Mooney também citou uma reunião em Miami, antes do início do Mundial, com representantes das 211 federações filiadas. Na ocasião, ele chamou atenção para o salto na arrecadação do torneio. A comparação usada por ele foi direta: a receita no Catar ficou em torno de oito bilhões, enquanto a edição realizada em Canadá, Estados Unidos e México chegou a 16 bilhões.
Para o dirigente, isso representa um aumento de 100% e, por consequência, justificaria um crescimento semelhante no volume de recursos redistribuídos às federações. A leitura é política, mas também estratégica: quanto maior o faturamento da Copa, maior a pressão para que a riqueza do torneio seja compartilhada de forma mais ampla.
Eleição de 2027 e disputa por apoio nos bastidores
O novo ataque de Mooney ao presidente da Fifa adiciona mais tensão a um processo eleitoral que ainda vai se desenrolar nos próximos meses. Infantino tenta encaminhar sua quarta candidatura, mas enfrenta resistência em diferentes frentes, e a oposição busca construir uma alternativa com tempo suficiente para viabilizar uma campanha competitiva.
Ao reforçar que a federação galesa não apoiará a permanência do atual presidente, Mooney sinaliza que a disputa vai além de um debate administrativo. Está em jogo a direção política da Fifa, o uso de seus recursos e até a forma como a instituição pretende se relacionar com investidores e federações menores nos próximos anos.