Steven Sessegnon volta para casa e reencontra o futebol em nova fase no Wimbledon
CBF não entra diretamente nessa história, mas a trajetória de Steven Sessegnon ajuda a entender como o futebol pode mudar de rumo em pouco tempo. O defensor está de volta ao sul de Londres, agora com a camisa do AFC Wimbledon, depois de uma passagem marcada por lesões, adaptações forçadas e perda de espaço no Wigan. Em casa de novo, ele vive uma etapa mais estável da carreira e, ao mesmo tempo, mais próxima da família.
O retorno ganhou contornos ainda mais simbólicos por causa do laço com o irmão gêmeo, Ryan. No mês passado, os dois caminharam lado a lado em Craven Cottage, cada um carregando a própria filha, antes de protagonizarem um encontro raro: pela primeira vez, estiveram em lados opostos dentro de campo. Para quem cresceu junto na base do Fulham e dividiu parte da trajetória profissional, foi um momento de volta ao ponto de partida.
Steven Sessegnon reencontra o cotidiano de infância em New Malden
Agora no Wimbledon, Steven fala como quem realmente voltou ao lugar onde tudo começou. Em New Malden, no centro de treinamento do clube, ele aponta para áreas que fazem parte da memória da família: o gramado onde aconteceram jogos de categorias de base, a escola frequentada na juventude e a proximidade com Motspur Park, casa do Fulham. Tudo está a poucos minutos de distância.
Esse retorno não é apenas geográfico. É afetivo. O jogador de 26 anos destacou como estar perto dos irmãos, sobrinhos e sobrinhas mudou seu dia a dia, além de facilitar as conversas com Ryan, que segue em outro nível de competição. Eles se encontram algumas vezes por semana e falam, sobretudo, sobre a vida fora das quatro linhas: paternidade, responsabilidade e futuro.
A passagem difícil por Wigan antes da virada no mercado
A chegada ao Wimbledon veio depois de um período delicado no Wigan. Na primeira temporada, em 2023/24, Steven participou de 29 partidas em todas as competições. Na seguinte, sofreu problemas na panturrilha e no joelho e não voltou a atuar depois de 4 de janeiro de 2025. Já no começo da terceira temporada, foi colocado na lista de transferências por Gary Caldwell, que havia substituído Ryan Lowe em fevereiro de 2025.
O próprio jogador admite que as mudanças aconteceram depressa. Ele foi avisado de que não faria parte dos planos, nem participou da pré-temporada, mas acabou começando a estreia do campeonato por causa de lesões e ausências no elenco. Depois, quando atuou, chegou até a ser escalado como zagueiro, posição em que nunca havia jogado. O cenário foi duro, mas também serviu de aprendizado.
Steven foi liberado pelos Latics no verão europeu e assinou com o AFC Wimbledon em 25 de junho, em contrato de dois anos, com opção de renovação por mais 12 meses. Quando recebeu a ligação, já se preparava para sair de férias com a família. Bastou ouvir o nome do clube e a condição de jogar em casa para aceitar a proposta sem hesitar.
Steven Sessegnon reencontra ritmo e confiança no AFC Wimbledon
A estreia pelos Dons veio em 8 de agosto, contra o Newport, pela Copa da Liga Inglesa. O tempo sem competir chamava atenção, já que havia quase seis meses desde o último jogo oficial pelo Wigan. Mais tarde, a estreia completa na liga aconteceu em 7 de setembro, na vitória por 2 a 0 sobre o Bromley, pela League One.
O processo foi gradual, mas parece ter funcionado. Steven reconhece que as primeiras partidas saindo do banco ajudaram na readaptação e no retorno ao ritmo competitivo. Também elogiou a forma como foi tratado pela comissão técnica, liderada por Johnnie Jackson, destacando a comunicação e o cuidado durante o período de transição.
Em campo, o Wimbledon tem mostrado uma proposta prática. O próprio jogador resumiu o momento da equipe como um futebol simples, porém eficiente, capaz de criar chances sem complicar demais as jogadas. Isso combina com o encaixe dele no time, que gosta de acelerar o jogo e levar a bola mais alto no campo.
Defesa sólida e desafio grande na League One
Os números do início de campanha explicam por que o AFC Wimbledon ainda vive com algum fôlego, apesar do perfil modesto no papel. O time soma cinco jogos sem sofrer gols em sete partidas, desempenho que divide a liderança entre as melhores defesas da Sky Bet EFL até aqui. Ao mesmo tempo, marcou apenas cinco gols, um sinal de equilíbrio, mas também de margem curta para crescer.
Na tabela, o Wimbledon chega a quatro pontos do líder Bradford antes da visita ao Cambridge, jogo marcado para sábado e com transmissão ao vivo no Sky Sports+. Ainda assim, o clube aparece entre os cotados pelas casas de apostas para lutar contra o rebaixamento nesta temporada. O contraste entre solidez defensiva e projeção externa de risco mostra o tamanho do desafio.
É justamente nesse cenário que Steven Sessegnon tenta se firmar novamente. De volta ao bairro onde a história começou, ele carrega a experiência de um período turbulento e a vantagem de estar perto de casa. Para o Wimbledon, pode ser um reforço útil. Para ele, é uma chance concreta de provar que ainda há muito futebol pela frente.