Polícia demora mais de 90 minutos após ataque em Clintonville
Demora da polícia de Columbus virou o ponto central de um caso grave em Clintonville, Ohio. Uma mãe relatou ter sido atacada por um estranho dentro do próprio apartamento, na manhã de 26 de agosto, e disse ter esperado mais de uma hora e meia até a chegada dos agentes.
O episódio, que agora está sob investigação da área de segurança pública da cidade, ganhou ainda mais peso porque os registros indicam que havia policiais disponíveis para atendimento. A classificação do chamado era de prioridade máxima operacional dentro da categoria informada pelas autoridades, o que reforça a cobrança por respostas.
O relato da vítima e o momento da invasão
A mulher, que não teve a identidade divulgada, contou que se preparava para levar o filho à escola quando ouviu uma batida à porta. Ao abrir, foi surpreendida pela investida do homem, que avançou para dentro do apartamento sem qualquer autorização.
Segundo o depoimento, ele tocou seu braço e seu seio e disse que queria “cuidar” dela, numa abordagem que ela interpretou como tentativa de agressão sexual. À reportagem local, afirmou que acreditava estar diante de uma violência iminente. Para conseguir expulsá-lo, reagiu com um tapa na cabeça antes de ligar para o 911.
Na chamada de emergência, ela deixou claro o que havia acabado de ocorrer. Disse ao atendente que o homem tentou forçar a entrada e que a intenção era claramente sexual. Em seguida, alertou que ele representava risco para os vizinhos e que outras mulheres do condomínio também não estariam seguras.
Polícia de Columbus e a falha no atendimento
O caso ficou ainda mais complexo porque outra ocorrência no mesmo complexo de apartamentos havia sido comunicada nove minutos antes, às 6h21. Um homem relatou que a namorada havia sido abordada quando entrava no carro. Na ligação, a atendente tentou entender se o suspeito tinha conseguido entrar no veículo, enquanto o chamador dizia que ela ligara chorando e era difícil até compreender o que dizia.
Antes disso, o suspeito, identificado como Isaac Bamba, de 23 anos, também havia telefonado para o 911 a partir das 6h17. Nas gravações, ele aparece exaltado e com fala desconexa, usando insultos e xingamentos contra outra pessoa. O tom da ligação reforçou a sensação de descontrole em torno do episódio.
Mesmo assim, os agentes não chegaram com rapidez. Após cerca de 40 minutos sem viatura no local, a vítima voltou a ligar e disse que ninguém havia aparecido, apesar de já ter informado que sofrera uma tentativa de invasão com possível agressão sexual. A resposta recebida foi que o destacamento passava por troca de turno e aguardava a confirmação da equipe que assumiria o atendimento.
Investigação, classificação do chamado e cobranças
Foi nesse momento que a mulher reagiu com franqueza. Ela respondeu ao atendente que entendia a troca de turno, mas que poderia ter morrido. A frase resume o tamanho da frustração diante da espera, sobretudo em uma situação classificada como urgência.
Os registros mostram que o caso foi marcado como “priority two”, o que exige encaminhamento imediato e resposta sem atraso. A secretaria de segurança pública de Columbus, responsável pelo sistema de comunicações do 911, informou que uma análise preliminar encontrou policiais disponíveis para o envio ao endereço.
Apesar disso, a investigação aberta ainda tenta explicar por que o despacho não ocorreu no tempo esperado. Pelos registros, um sargento só foi informado às 7h24 sobre a chamada feita pela vítima, cerca de uma hora depois do primeiro pedido de socorro. Os agentes foram acionados às 7h32 e chegaram às 7h53, mais de 90 minutos após a ligação inicial.
Prisão, acusações e as próximas consequências
Quando finalmente recebeu atendimento, a polícia prendeu Isaac Bamba, que trabalhava como técnico cirúrgico e morava no mesmo prédio. Ele foi acusado de invasão qualificada e ato sexual abusivo grave, ambas classificadas como crimes graves pela legislação local.
No mesmo dia, Bamba se internou voluntariamente por três dias para avaliação de saúde comportamental. O advogado informou que médicos acreditam que ele passava por um surto psicótico. Já a OhioHealth, empregadora do suspeito, confirmou que ele está afastado administrativamente.
Para a moradora, o caso precisa ir além da prisão e servir de alerta. Ela afirma que há algo errado no sistema de resposta e que isso precisa ser corrigido. Além disso, disse temer que outra pessoa possa passar pela mesma situação sem que a ajuda chegue a tempo.
A cobrança agora recai sobre a apuração interna e sobre a comunicação entre despacho e patrulhamento. Em situações assim, cada minuto pesa. E, neste caso, a espera virou parte central da violência relatada.