Zidane mexe no gol da França e surpreende logo na primeira lista
FIFA e mudanças de rota raramente andam tão juntas quanto nesta primeira convocação de Zinedine Zidane à frente da seleção francesa. A grande surpresa apareceu no gol: Guillaume Restes foi chamado, e Jean Butez entrou para suprir a ausência de Robin Risser, lesionado. O recado é claro desde o início da nova era: o posto de goleiro também entrou na lista de setores que o treinador quer reformular.
A França se reúne nesta segunda-feira em Clairefontaine para iniciar uma data Fifa incomum, com quatro partidas da Liga das Nações. O calendário apertado dá a Zidane a chance de acelerar ideias, testar nomes e estabelecer uma identidade logo no começo do trabalho. E, para além das apostas no ataque e em outras posições, a escolha pelos goleiros chamou atenção por sua audácia.
Guillaume Restes e Jean Butez ganham espaço na nova hierarquia
Com o apoio de Fabien Barthez, recém-chegado ao cargo de treinador de goleiros, Zidane decidiu apostar em perfis que não eram tratados como favoritos. Restes ganhou a convocação em um movimento que sinaliza confiança no potencial do jovem arqueiro. Já Butez foi acionado no domingo, após a fratura na costela de Robin Risser, para completar o grupo.
A leitura do novo comando é de renovação. Em vez de repetir a lógica anterior, o staff francês preferiu abrir espaço para alternativas diferentes e, ao que tudo indica, mais alinhadas ao plano de reconstrução do setor. Isso ajuda a explicar por que o goleiro passou de área estável a tema de observação intensa logo no início do ciclo.
Brice Samba e Lucas Chevalier perdem terreno na França de Zidane
As principais vítimas dessa mexida foram Brice Samba e Lucas Chevalier. O primeiro vinha de um papel de relevância com Didier Deschamps, inclusive como número dois na última Copa do Mundo, mas agora aparece em posição desconfortável na avaliação interna da nova comissão. Para Barthez, ele e Chevalier não estão, neste momento, entre as prioridades da seleção.
No caso de Chevalier, a situação já era delicada. Sem atuar pelo PSG desde dezembro, o ex-Lille perdeu a continuidade que costuma pesar muito na disputa por vaga em seleção. Já Samba traz um quadro mais complexo: mesmo sem viver sua fase mais regular no Rennes, ele segue como titular em um time de parte alta da Ligue 1, o que torna sua queda ainda mais marcante.
Na prática, o novo staff parece disposto a varrer antigos privilégios e reordenar a concorrência. A mensagem não é apenas sobre nomes, mas sobre o ponto de partida de Zidane para esta era: desempenho recente, perfil técnico e encaixe no projeto contam mais do que a hierarquia herdada.
Renovação vai além do gol e abre nova disputa na seleção
O caso dos goleiros não veio sozinho. A lista de Zidane também trouxe outras caras novas, como Diouf, Jacquet, Da Cunha e Lepaul, reforçando a impressão de que a primeira convocação foi pensada para marcar território. Em diferentes setores, a intenção foi a mesma: renovar sem esperar demais.
Por isso, a escolha por Restes e Butez não soa como acidente de percurso. Ela se encaixa em uma lógica mais ampla de regeneração, semelhante à que o treinador quer aplicar em posições como as laterais. Em um grupo ainda em formação, a observação do desempenho nas próximas semanas pode redesenhar a disputa interna de forma acelerada.
Para Samba, o cenário começa a ficar delicado. A distância para a nova comissão parece real, e uma possível reaproximação dependerá de uma sequência forte no clube. Chevalier, por sua vez, terá de recuperar minutagem para continuar no radar. Sem isso, a concorrência tende a apertar ainda mais.
As próximas semanas podem definir o rumo da disputa no gol
A maratona da Liga das Nações oferece pouco tempo para acomodação e bastante espaço para avaliação. Zidane terá quatro jogos para observar comportamentos, testar respostas e medir o grau de adaptação dos convocados ao novo ambiente. No gol, isso significa que o debate está só começando.
Se a ideia for mesmo renovar a base de goleiros da França, o caminho passa por continuidade. Restes e Butez ganharam a primeira chance, enquanto Samba e Chevalier entram em uma zona de alerta. A partir daqui, cada atuação em clube e cada treino na seleção podem pesar mais do que o histórico recente.
A primeira lista de Zidane, portanto, já desenha uma mudança de tom. No gol, talvez mais do que em qualquer outra área, o novo ciclo francês começou com um recado firme: nada está garantido.