Tuchel revela bastidores da campanha da Inglaterra e viraliza ao falar de “comer a grama” no Azteca


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Tuchel revela bastidores da campanha da Inglaterra e viraliza ao falar de “comer a grama” no Azteca

A FIFA virou pano de fundo para uma das imagens mais curiosas da temporada: Thomas Tuchel disse que se arrependeu de não ter “comido um pouco da grama” do estádio Azteca, após a vitória da Inglaterra sobre o México. A frase, que chamou atenção nas redes sociais, aparece no documentário “Reflections: England’s World Cup Journey”, lançado pela Federação Inglesa para revisitar a campanha da seleção.

No filme, o treinador aparece ao lado de Daniel Sturridge, ex-jogador da seleção e comentarista da Sky Sports, para analisar a trajetória inglesa no torneio. A equipe terminou em terceiro lugar, depois de cair nas semifinais para a Argentina, e teve justamente no duelo contra o México o momento mais simbólico da campanha: uma vitória por 3 a 2, com mais de 35 minutos jogando com um homem a menos.

Vitória na Cidade do México marcou o ponto alto da campanha inglesa

Tuchel transformou aquele jogo em uma espécie de símbolo emocional do torneio. Depois da partida, contou que mandou mensagem a um amigo e escreveu que se arrependia de não ter levado consigo “um pedaço” daquela noite, como forma de guardar a experiência para sempre.

O contexto também ajudava a ampliar o peso da vitória. Antes do confronto, muito se falou da altitude do Azteca e da possibilidade de atraso por causa do clima, algo que acabou se confirmando com o adiamento do pontapé inicial. Ainda assim, a Inglaterra chegou ao jogo com uma preparação pensada para reduzir ruídos e criar foco em meio a um ambiente hostil.

Na avaliação do técnico, o grupo respondeu bem ao cenário. Ele descreveu o treinamento no México como surpreendentemente calmo, quase uma pausa de silêncio no meio do caos esperado para uma partida daquele tamanho. A partir daí, a comissão criou uma ideia simples para a equipe: valorizar a tranquilidade antes de enfrentar uma arquibancada contra.

“Silêncio é poderoso”: a rotina de concentração que encantou Tuchel

Segundo o treinador, a sensação no centro da Cidade do México foi de um verdadeiro oásis. Ele afirmou que o campo transmitia paz e que isso mexeu com os jogadores, que circulavam, falavam ao telefone e absorviam aquele ambiente mais sereno antes da partida.

A partir dessa atmosfera, surgiu o lema que guiou a preparação mental: “silence is powerful”. Tuchel explicou que a ideia era aceitar o silêncio como uma força, e não como um vazio. No dia do jogo, a seleção ainda fez cinco minutos de meditação e visualização do apito final, um ritual pensado para reforçar a concentração.

O técnico enxerga esse tipo de detalhe como parte da construção de grandes campanhas. Não foi só sobre tática ou intensidade física. Houve também uma tentativa clara de organizar a cabeça do elenco em meio a uma missão difícil, em um estádio onde a pressão já existia antes mesmo da bola rolar.

Henderson e o retrato da união dentro do elenco inglês

Se a vitória sobre o México ficou marcada pelo aspecto esportivo, outro episódio chamou a atenção de Tuchel por revelar a força do grupo. Ele citou a comemoração em que Jordan Henderson caiu e quebrou o braço como prova da ligação entre os jogadores.

O treinador descreveu a reação do elenco como imediata e solidária. Em poucos segundos, segundo ele, todos estavam ao redor do companheiro, interrompendo a celebração e formando uma espécie de barreira protetora para ajudá-lo. Para Tuchel, aquela cena resumiu o espírito da equipe melhor do que qualquer discurso.

Esse olhar reforça a leitura de que a Inglaterra saiu do torneio com algo além do pódio. A campanha deixou imagens de competitividade, mas também de identificação entre os atletas, algo que o técnico tratou como um dos maiores ganhos do processo.

Tuchel projeta próximos passos e vê base forte para a Inglaterra

O documentário chega em um momento de revisão interna da FA sobre a campanha, mas Tuchel demonstrou confiança no que está sendo construído. Para ele, a experiência criou um vínculo real com o elenco, a ponto de sentir que aqueles atletas agora fazem parte do seu núcleo de trabalho.

A seleção inglesa terá pela frente a Espanha, campeã mundial, na próxima data Fifa, pela Nations League. Depois, encara República Tcheca e Croácia nas rodadas seguintes. O foco, no entanto, já está mais amplo: o treinador enxerga a preparação para a próxima Euro como um caminho mais manejável do que foi organizar a campanha da Copa do Mundo de 2026.

Tuchel também fez questão de olhar para os números da trajetória como base para evolução. A equipe disputou 10 jogos no torneio, com oito vitórias, um empate e uma derrota dolorosa. Para ele, esse saldo sustenta a ideia de que há algo consistente em construção.

“Temos todo o direito de levantar a cabeça”, resumiu o treinador, ao falar sobre os próximos desafios. A mensagem é clara: a campanha deixou feridas, mas também entregou convicção.

Harry Kane, Bellingham e a conexão especial com a torcida

Entre os nomes exaltados por Tuchel, Harry Kane ganhou elogios pelo nível de profissionalismo. O técnico destacou a disciplina diária do atacante, o peso da liderança no vestiário e a evolução atingida desde a passagem pelo Bayern de Munique. Para ele, Kane se tornou referência não só pelo fim de jogada, mas pela forma como puxa o padrão dos treinos.

Jude Bellingham também recebeu tratamento de protagonista. Tuchel afirmou que o meio-campista foi um dos melhores jogadores do torneio, não apenas da Inglaterra, e celebrou sua fome por futebol, minutos e responsabilidade. Na visão do treinador, o jovem respondeu ao peso das grandes partidas com personalidade e energia acima da média.

Na arquibancada, a relação com a torcida completou o quadro. Tuchel disse que os torcedores corresponderam às expectativas desde o início, percebendo rapidamente que aquele grupo lutava junto e se entregava de verdade. Para ele, a conexão não teve nada de artificial, e foi justamente isso que a tornou tão especial.

O documentário será lançado em 16 de setembro, com exclusividade no aplicativo da Inglaterra. E, ao menos pelo que já foi revelado, deve render mais do que lembranças esportivas: oferece uma janela rara para os bastidores de uma campanha que uniu performance, emoção e um toque de peculiaridade à moda de Tuchel.

Autor

Jornalista esportiva e Editora | 12 anos de experiência

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Fernanda Castelo é jornalista esportiva e editora com 12 anos de experiência na mídia digital e impressa. Graduada em Jornalismo pela PUC-SP, com especialização em Gestão Esportiva. Especializada no futebol de clubes brasileiro, mercado de transferências e aspectos financeiros do esporte. Acredita que o jornalismo esportivo deve ser honesto com o torcedor — sem clickbait e sem rumores não verificados. No Ganhador24, supervisiona a política editorial e produz conteúdos sobre o futebol de clubes no Brasil.

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