Ødegaard decide em Nápoles e ganha status de protagonista no Arsenal
Martin Ødegaard viveu uma noite daquelas que reforçam hierarquia. O meia norueguês marcou o gol da vitória do Arsenal sobre o Napoli, no Stadio Diego Armando Maradona, e abriu a campanha dos ingleses na Liga dos Campeões com um resultado pesado fora de casa. Foi o quarto gol dele nos últimos cinco jogos, sinal de que a curva de rendimento voltou a subir no momento certo.
Mais do que o placar, o jogo deixou uma impressão clara: o capitão do Arsenal retomou a confiança e passou a comandar o time com mais presença ofensiva. A atuação chamou atenção de Joe Cole, que enxergou influência direta de dois colegas no crescimento recente do norueguês. Para o ex-jogador, Max Dowman e Eberechi Eze criaram uma competição saudável e empurraram Ødegaard para outro nível.
Ødegaard volta ao centro do jogo após temporada irregular
A comparação com o ano passado ajuda a dimensionar a reação. Ødegaard sofreu com lesões no joelho e no ombro, perdeu ritmo e terminou a temporada anterior muito abaixo do que se espera de um capitão do Arsenal. Foram 36 partidas em todas as competições, com apenas um gol e sete assistências. Na Premier League, participou de só 24 jogos, em um campeonato em que o clube enfim conquistou o título.
Mesmo com a taça no bolso, a campanha individual ficou marcada pela limitação física. Por isso, a retomada ganhou peso logo no início da nova temporada. O primeiro sinal apareceu com a seleção da Noruega, quando ele se destacou na trajetória até as quartas de final da Copa do Mundo, antes da queda para a Inglaterra.
O embalo continuou no clube. Na vitória sobre o Manchester City, pela Supercopa, Ødegaard mostrou frieza ao driblar Gianluigi Donnarumma antes de empurrar a bola para as redes vazias. Depois, marcou no 3 a 0 sobre o Coventry City e voltou a decidir no 2 a 1 contra o Chelsea, de virada, no Emirates. O gol em Nápoles consolidou a sequência.
Joe Cole vê evolução do Arsenal e pressão positiva sobre o camisa 8
Na análise feita pela TNT Sports, Joe Cole destacou que o Arsenal fez uma atuação muito forte fora de casa, independentemente do resultado apertado. Para ele, o time jogou com qualidade e controle em vários momentos da partida, sobretudo pela forma como ocupou o campo e administrou a pressão do Napoli.
O ponto central, porém, foi Ødegaard. Cole afirmou que o norueguês esteve brilhante durante toda a noite e que parece ter voltado ao auge. Na leitura do ex-meia, o capitão do Arsenal enxergou a última temporada como um passo abaixo do seu padrão, mesmo com o título inglês, e entrou neste ano com outra postura.
Essa postura, segundo Cole, tem relação com o novo cenário interno do elenco. A ascensão de Max Dowman e a chegada de Eberechi Eze aumentaram a disputa por espaço e elevaram a exigência sobre o setor ofensivo. O efeito, no campo, é visível: Ødegaard aparece mais intenso, mais agressivo e mais disposto a assumir o time nas mãos.
Ødegaard ganha elogios de Cole, Keown e Arteta
Martin Keown também saiu do estádio impressionado. O ex-zagueiro do Arsenal descreveu a equipe como incansável e disse que o Napoli foi sufocado em vários trechos da partida. Em sua avaliação, os ingleses foram físicos, fortes nos duelos e muito difíceis de enfrentar, mesmo com vários jogadores fazendo a primeira partida como titulares naquela noite.
Keown ainda apontou Ødegaard como o acabamento perfeito de uma atuação coletiva sólida. Chamou atenção especialmente o gol de fora da área, algo que o meia não costuma transformar em rotina. A sensação, para o ex-defensor, foi a de que o norueguês voltou a ser o jogador de alto nível que o Arsenal conhece bem.
Mikel Arteta seguiu na mesma linha. O técnico valorizou a mentalidade do camisa 8 e a insistência em buscar a jogada certa, mesmo quando o lance não aparece de imediato. Também ressaltou que Ødegaard agora ocupa zonas mais avançadas, está rodeado por parcerias diferentes e oferece perigos variados ao ataque. Quando recebe a bola por dentro, a equipe sobe de patamar.
O que a reação do capitão diz sobre a temporada do Arsenal
O início de temporada de Ødegaard não é só uma boa notícia individual. Ele reforça a sensação de que o Arsenal pode sustentar o título inglês com mais força competitiva, desde que mantenha seus principais nomes saudáveis e em alto nível. Quando o capitão se aproxima da área, ganha confiança e participa mais das ações decisivas, o time de Arteta fica mais imprevisível.
Há também um aspecto simbólico. Depois de um ano de muitas limitações físicas, o norueguês voltou a comandar os jogos com naturalidade. Isso muda a atmosfera em torno do elenco e dá ao Arsenal um líder técnico mais presente, justamente num momento em que a Liga dos Campeões exige consistência desde a largada.
A vitória em Nápoles não define a campanha, mas oferece um recado forte. O Arsenal mostrou maturidade, intensidade e repertório. E Ødegaard, que já vinha se aproximando do seu melhor nível, terminou a noite como a peça que amarra tudo: paciente, decisivo e, acima de tudo, novamente central na identidade ofensiva do time.