MLS tem rodada intensa, com Nashville dominante e sinais de reação em San Diego


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MLS tem rodada intensa, com Nashville dominante e sinais de reação em San Diego

FIFA e o calendário internacional à parte, a MLS viveu um fim de semana cheio de recados. O grande destaque foi a vitória robusta do Nashville SC sobre o Inter Miami, mas houve também espaço para uma resposta importante do San Diego FC, que enfim voltou a vencer e respirou na reta decisiva da temporada. Entre um resultado e outro, ficaram expostos problemas de elenco, questões táticas e até a pressão crescente sobre alguns treinadores.

O roteiro da rodada ajudou a desenhar o momento de cada clube. Nashville confirmou a imagem de time mais completo da liga até aqui, enquanto Miami saiu do jogo com novas dúvidas, apesar da presença de Lionel Messi. Já San Diego, que vinha em trajetória de queda depois de uma campanha inaugural muito forte, encontrou no triunfo sobre o LAFC um sinal de recuperação. Em paralelo, Philadelphia, Atlanta, Seattle e Red Bulls também deixaram lições relevantes.

Hany Mukhtar comanda a goleada do Nashville SC

O confronto entre Nashville SC e Inter Miami era, em teoria, um dos mais atraentes da rodada. De um lado, o time mais equilibrado da MLS, com a defesa menos vazada e saldo confortável no Leste. Do outro, uma equipe cercada de incertezas, ainda tentando encaixar suas peças ao redor de Messi. Em campo, porém, a diferença foi maior do que se imaginava.

Hany Mukhtar foi o nome da noite. O meia-atacante marcou dois gols e participou diretamente dos outros dois na vitória por 4 a 1. Nashville foi cirúrgico, aproveitou os espaços e quase não deixou o adversário respirar. Messi até deu um passe refinado para Telasco Segovia e teve a chance de recolocar o Inter Miami no jogo, mas parou em um pênalti desperdiçado em momento crucial. O argentino ainda acertou a trave duas vezes, enquanto o Miami finalizou 16 vezes sem passar a impressão de que realmente chegaria ao empate.

No conjunto da obra, a leitura é simples: Nashville funcionou como time. O ataque formado por Sam Surridge e Mukhtar continua rendendo em alto nível, e a consistência defensiva segue como um dos pilares da campanha. Já o Inter Miami parece preso entre talento individual e falta de fluidez coletiva.

San Diego FC reencontra o caminho com vitória sobre o LAFC

Depois de uma temporada de grandes expectativas e muita frustração, o San Diego FC precisava de uma noite como essa. O clube do sul da Califórnia, que brilhou em sua campanha inaugural, passou a conviver com a possibilidade real de ficar fora dos playoffs. Seria uma queda pesada para quem chegou tão longe no ano anterior.

Nos últimos jogos, no entanto, apareceram sinais de reação. O time passou a errar menos, o controle com a bola ficou mais confiável e o ambiente pareceu aliviar. Isso se confirmou no sábado, com uma vitória por 1 a 0 sobre o LAFC. O jogo não foi vistoso, e o adversário até criou mais. Houve, inclusive, um lance polêmico na etapa inicial, quando um gol de Denis Bouanga acabou anulado após um toque de mão. Mesmo assim, o San Diego resistiu e encontrou a solução no fim.

Anders Dreyer decidiu aos 88 minutos, cobrando pênalti e entregando um triunfo valioso. O dinamarquês ainda vive uma temporada abaixo do brilho exibido no ano passado, mas apareceu quando o time mais precisava. A vitória não resolve tudo, porém recoloca o San Diego em um caminho mais promissor.

LAFC sob pressão e com o trabalho de Marc Dos Santos em debate

Do outro lado, a derrota para o San Diego aumentou o incômodo em torno do LAFC. Marc Dos Santos já convive com questionamentos há algum tempo, e a insatisfação da torcida ganhou força. Há um abaixo-assinado circulando para pedir sua saída, o que ajuda a dimensionar o clima ao redor do clube.

O problema não se limita ao resultado. O LAFC ainda pode brigar pelo topo da Conferência Oeste, mas a equipe não transmite segurança. Son Heung-Min, uma das principais apostas da temporada, marcou apenas quatro gols na MLS. As contratações recentes também não entregaram o equilíbrio esperado. Assim, mesmo ocupando posição competitiva na tabela, o time não conseguiu acalmar a arquibancada.

Trocar de treinador em meio à possibilidade de título nunca é decisão simples. Ainda assim, o peso da crítica cresce quando o desempenho não acompanha o investimento e a ambição.

Cavan Sullivan lidera virada do Philadelphia Union

Se havia uma atuação que reforçava a ideia de renovação no elenco, ela veio em Philadelphia. O Union saiu de uma desvantagem de 2 a 0 contra o NYCFC e buscou uma virada que teve Cavan Sullivan como protagonista. O jovem meia-atacante deu duas assistências e mostrou personalidade em um jogo que pedia frieza.

Há também um contexto de mudança mais amplo. O time parece jogar com menos trava do que sob o comando anterior, com mais liberdade para criar e assumir riscos. Não é só Sullivan que explica a melhora, claro. A equipe evoluiu em conjunto, e a chegada de Kai Wagner também elevou o nível pela lateral. Mas o garoto virou o símbolo dessa nova fase: atua sem medo, pede a bola e assume responsabilidade.

A vitória foi a quarta consecutiva do Union na MLS, e o elenco já começa a olhar para cima com ambição real. Em uma liga tão equilibrada, sequência vencedora costuma mudar o horizonte rapidamente.

Red Bulls e Seattle expõem problemas diferentes

Michael Bradley também saiu da rodada com motivos para reflexão. O New York Red Bulls começou bem contra o Atlanta United, abriu o placar e até teve chances de ampliar. Porém, o estilo exposto e agressivo cobra seu preço quando a equipe não consegue sustentar a intensidade até o fim.

Atlanta aproveitou a queda física do adversário e foi mais eficaz nas transições. Tristan Muyumba empatou com um chute bonito, e Fafa Picault definiu a virada em um raro gol de cabeça, já perto do fim. Foi a primeira partida do Atlanta em casa desde 9 de maio, e o time entregou à torcida uma vitória importante diante de um rival que costuma competir em alto nível, ainda que de forma irregular.

Seattle, por sua vez, perdeu por 2 a 0 para o Vancouver Whitecaps sem fazer uma partida ruim. O incômodo, como apontou Brian Schmetzer de forma direta, está na profundidade do elenco. Sem Jordan Morris, Paul Arriola, Jesus Ferreira e Cristian Roldan, o time perde qualidade demais. O treinador deixou claro que a solução não virá só da base do MLS Next Pro. Falta peso no banco, e isso apareceu mais uma vez.

No fim, a rodada da MLS deixou uma mensagem comum a vários clubes: talento ajuda, mas equilíbrio decide. Nashville provou isso com autoridade. San Diego tentou reencontrar a própria versão competitiva. E outros, como Miami, LAFC, Seattle e Red Bulls, ficaram diante de perguntas que ainda pedem resposta.

Autor

Jornalista esportivo sênior | 11 anos de experiência

  • Futebol brasileiro
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  • análise pré-jogo

Carlos Mendes é jornalista esportivo sênior com 11 anos de experiência na mídia esportiva brasileira e internacional. Formado em Jornalismo pela Universidade de São Paulo (USP). Especializado no Campeonato Brasileiro Série A, Copa Libertadores e jogos da Seleção Brasileira. Ao longo da carreira, cobriu diversas edições da Copa América e outros grandes torneios internacionais. Segue um princípio claro: todo conteúdo deve ser baseado exclusivamente em fontes verificadas e estatísticas oficiais. No Ganhador24, é responsável pela análise pré-jogo, cobertura de torneios e análises aprofundadas dos principais eventos da temporada futebolística.

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