Roy Keane corta o entusiasmo e vê o Manchester United longe da briga pelo título
Manchester United ainda não parece, na visão de Roy Keane, um candidato real ao título da Premier League. Mesmo com investimento pesado no meio-campo e a chegada de nomes como Youri Tielemans e Andrey Santos, o ex-capitão foi direto ao apontar o que, para ele, continua travando a equipe: a fragilidade defensiva.
A leitura de Keane é dura, mas coerente com o tom habitual de suas análises. Para ele, o elenco ganhou profundidade e ficou mais equilibrado entre as linhas, só que isso não basta para colocar o clube na conversa com os gigantes que brigam por troféus. O irlandês reconhece valor no setor central, porém não vê ali uma base suficientemente forte para sustentar uma campanha de campeão.
O meio-campo melhorou, mas não resolve tudo
Ao comentar o cenário no programa Stick to Football, Keane aceitou que o United tem, hoje, um meio-campo mais interessante. A presença de Kobbie Mainoo, que se destacou sob o comando de Michael Carrick na última temporada, ajuda a compor um setor com mais alternativas e qualidade técnica.
Mesmo assim, o ex-jogador fez questão de separar “bom meio-campo” de “meio-campo vencedor”. Para ele, são coisas diferentes. O clube pode até ter opções confiáveis para rodar o elenco e competir com mais regularidade, mas isso não significa que o grupo esteja pronto para disputar a liderança até o fim.
Keane resumiu esse raciocínio ao afirmar que, se a discussão for apenas sobre qualidade geral, o setor passa. Mas, quando a régua sobe para a disputa do campeonato, ele enxerga uma lacuna. Na prática, o diagnóstico é claro: o United melhorou, embora ainda não tenha alcançado o nível exigido por uma corrida ao topo.
Roy Keane aponta a defesa como o grande problema do Manchester United
Se o meio-campo merece elogios moderados, a defesa recebeu o recado mais incisivo. Keane vê nas laterais e na dupla de zaga o principal obstáculo para qualquer sonho mais ambicioso nesta temporada.
Segundo sua avaliação, os problemas na linha de trás seguem grandes demais para serem ignorados. Ele citou os laterais e os dois zagueiros como setores ainda frágeis, capazes de comprometer um time mesmo quando o restante da estrutura funciona melhor. É uma crítica que vai além do nome de um jogador ou de uma contratação específica; trata-se de uma limitação coletiva.
Essa leitura ajuda a entender por que o ex-capitão não se deixa impressionar apenas pela movimentação do mercado. Em sua visão, a produção ofensiva do United já mostrou sinais positivos, sobretudo desde a chegada de Carrick, mas a base defensiva segue sem a solidez necessária para sustentar uma campanha longa e vencedora.
Tielemans, a aposta segura, mas não a solução definitiva
A análise de Keane sobre Youri Tielemans foi mais equilibrada. Ele enxergou na contratação de £35 milhões uma escolha prudente, especialmente num contexto em que o clube tenta evitar excessos salariais que marcaram outras operações recentes.
O ex-capitão comparou o movimento a situações do passado, citando o exemplo de Casemiro como referência para um tipo de contratação que pesa mais no orçamento do que no desempenho de longo prazo. Para Keane, Tielemans conhece a Premier League, tem rodagem internacional e deve se adaptar com naturalidade às exigências de Old Trafford.
Ao mesmo tempo, o irlandês foi claro ao limitar o alcance da chegada do belga. Em sua visão, trata-se de uma aposta segura, mas não necessariamente de um nome capaz de levar o United ao topo. É o tipo de comentário que traduz bem a desconfiança dele: o elenco pode ter ficado mais estável, porém ainda não ficou mais temível.
O próximo passo no mercado e a pressão sobre Carrick
O planejamento do clube não deve parar por aí. O United já havia investido perto de £200 milhões para reforçar o ataque na última janela, com Bryan Mbeumo, Matheus Cunha e Benjamin Sesko. O trio deixou boa impressão sob Carrick, mas o trabalho está longe de terminado.
Agora, o alvo imediato do comando de Old Trafford é Baleba, negócio estimado em £65 milhões e tratado como um passo importante para fechar o meio-campo. O jogador já tinha sido buscado anteriormente, o que reforça a ideia de prioridade no setor.
Carrick, portanto, vive um desafio duplo: integrar os novos reforços e, ao mesmo tempo, corrigir um sistema defensivo que ainda inspira dúvida. Se conseguir juntar essas peças, o United poderá responder à cobrança pública. Caso contrário, as palavras de Roy Keane continuarão soando como um retrato incômodo, mas plausível, do momento do clube.