O veredito preliminar contra o Manchester City, acusado de fraudes financeiras em nove temporadas, recolocou no centro do debate uma velha ferida do futebol escocês: por que o Rangers manteve cinco títulos da liga mesmo após violações em registros de jogadores e anos de disputa judicial sobre pagamentos via EBT.
O caso City e o efeito dominó
A comissão independente da Premier League concluiu que o clube inglês mascarou receitas comerciais, distorceu contas e ocultou a real situação financeira de auditores e reguladores. O impacto estimado passa de 900 milhões de libras. Ainda cabe recurso, e a punição não foi definida. Mesmo assim, a reação já foi forte.
O ponto mais sensível veio de figuras ligadas ao Rangers. Graeme Souness falou em legado destruído, “trapaça” e até na ideia de que conquistas do City no período investigado não deveriam valer. A fala pesa. E pesa mais porque o próprio Souness recebeu 30 mil libras por meio de um sub trust ligado ao esquema de EBT do antigo Rangers.
Por que o tema volta com tanta força na Escócia
No caso escocês, os fatos estão documentados. Mais de 47 milhões de libras foram pagos via EBT a jogadores, técnicos e funcionários. Depois, as autoridades do futebol apontaram quebra de regras de registro por falta de divulgação adequada desses acordos. Anos mais tarde, a Suprema Corte do Reino Unido decidiu por unanimidade a favor da HMRC sobre o tratamento tributário dos pagamentos.
É aqui que a memória do torcedor do Celtic dispara. No período em questão, o Rangers venceu a liga em cinco temporadas: 2002/03, 2004/05, 2008/09, 2009/10 e 2010/11. Em todas elas, o vice foi o Celtic. Cinco vezes.
A decisão de 2013 e a pergunta que nunca sumiu
Em 2013, a comissão presidida por Lord Nimmo Smith concluiu que as infrações não deram vantagem competitiva desleal ao Rangers e que os atletas envolvidos não eram inelegíveis. A punição ficou em 250 mil libras, sem perda de títulos. Mais tarde, com a decisão da Suprema Corte, esperava-se uma revisão. Ela não veio.
A liga escocesa sustentou, com base em parecer jurídico, que o processo original estava encerrado e não poderia ser reaberto para impor nova sanção. Formalmente, o assunto morreu ali. Politicamente e esportivamente, nunca morreu.
Por isso o caso Manchester City produz tanto ruído em Glasgow. Os cenários não são idênticos no plano legal, mas tocam no mesmo nervo: o que acontece com quem cumpriu as regras e terminou atrás? Quando ex-nomes do Rangers pedem rigor máximo em outro caso de integridade esportiva, a cobrança por coerência volta inteira. E continua sem resposta capaz de convencer todo mundo. Para quem deseja apostar em campeonatos europeus, confira as melhores casas de apostas disponíveis no Brasil.