Irlanda sofre derrota na estreia e Kosovo faz valer o mando em Pristina
Irlanda do Norte? Não: a FIFA acompanha, mas quem saiu em desvantagem foi a seleção da República da Irlanda, derrotada por 1 a 0 pelo Kosovo na estreia da Nations League, em Pristina. O gol saiu só na reta final, depois de uma partida travada, equilibrada em vários momentos e marcada por muita tensão fora das quatro linhas.
O contexto já era pesado antes da bola rolar. A preparação irlandesa foi atravessada pela controvérsia em torno dos jogos contra Israel, tema que o técnico Heimir Hallgrimsson reconheceu como incômodo para parte do grupo. Dentro de campo, porém, a equipe tentou se manter concentrada e encontrou um adversário intenso, agressivo e cada vez mais confiante ao longo da noite no estádio Fadil Vokrri.
Primeiro tempo tem chances dos dois lados e poucas brechas
A Irlanda começou melhor na criação da sua principal oportunidade. Aos 22 minutos, James Abankwah avançou pela direita, entrou na área e serviu Chiedozie Ogbene, que finalizou por cima. Foi o lance mais limpo dos irlandeses antes do intervalo e acabou resumindo o potencial ofensivo da equipe naquela fase: boa aproximação, mas pouca precisão na conclusão.
O Kosovo respondeu com volume e presença na área. A seleção da casa levou perigo em finalizações bloqueadas sobre a linha, encontrou espaço para cruzamentos e obrigou Caoimhin Kelleher a trabalhar em boa defesa em cabeçada de Vedat Muriqi. O empate sem gols ao intervalo refletia a resistência irlandesa, mas também a sensação de que os donos da casa estavam mais perto de abrir o placar.
Irlanda do Norte? Não: a Irlanda da República sofre para conter o peso de Muriqi
No segundo tempo, a equipe de Hallgrimsson tentou voltar com postura mais adiantada. Abankwah apareceu novamente em apoio e cruzou para Troy Parrott, que cabeceou nas mãos de Arijanet Muric. Ainda assim, o jogo seguia em um cenário difícil para os visitantes, com o Kosovo controlando melhor a segunda bola e empurrando a Irlanda para trás em vários trechos da partida.
Vedat Muriqi foi o nome mais incômodo da noite. O atacante ameaçou em chute angulado, viu Kelleher defender com reflexo rápido e continuou rondando a área até ser decisivo no momento mais quente do jogo. Aos 83 minutos, Ermal Krasniqi finalizou, a bola desviou no travessão e Muriqi apareceu mais rápido do que a defesa irlandesa para empurrá-la às redes de muito perto.
Estreia no Grupo B3 deixa alerta para a sequência da República da Irlanda
A derrota pesa sobretudo pela forma como aconteceu. A República da Irlanda segurou o empate por boa parte da partida, mas faltou repertório ofensivo para transformar posse em ameaça constante. Do outro lado, o Kosovo confirmou a boa atuação com intensidade, organização e uma forte presença do seu capitão no momento decisivo.
O resultado também aumenta a pressão sobre a sequência da seleção irlandesa na competição. A equipe encara Israel no domingo, em território neutro na Hungria, e depois volta a encontrá-lo em mais um jogo fora de casa, desta vez na Sérvia, no que será tratado como mando irlandês. Em uma agenda já cercada por debates extracampo, a necessidade de resposta dentro das quatro linhas ficou ainda mais evidente.
Hallgrimsson vê sua equipe competir, mas a margem de erro desaparece
Heimir Hallgrimsson escalou James Abankwah pela primeira vez em uma partida oficial, dentro de uma linha de cinco defensores. Troy Parrott foi o homem mais adiantado, enquanto Dara O’Shea assumiu a braçadeira de capitão. A estrutura funcionou em parte, especialmente na proteção da área, mas não sustentou o time até o apito final.
Com a derrota, a Irlanda inicia sua caminhada no Grupo B3 sem pontos e com a necessidade de ajustar rapidamente a produção ofensiva. O Kosovo, que disputa a Liga B pela primeira vez, sai fortalecido e com a sensação de que soube explorar melhor o cenário de casa. Em jogos equilibrados como esse, detalhes costumam decidir — e em Pristina eles penderam para os anfitriões.