Premier League e grandes ligas europeias pressionam por reforma na FIFA


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Premier League e grandes ligas europeias pressionam por reforma na FIFA

FIFA volta ao centro da crise, agora sob pressão direta da Premier League e de três das principais ligas da Europa. Nesta sexta-feira, o campeonato inglês e as versões nacionais da Alemanha, da Itália e da Espanha devem divulgar um posicionamento conjunto cobrando uma reforma urgente na governança da entidade que comanda o futebol mundial.

O movimento acontece em meio ao desgaste de Gianni Infantino, que atravessa um período de contestação crescente dentro e fora da estrutura da FIFA. A expectativa é de que o comunicado peça mais consulta aos clubes e às ligas em temas centrais, especialmente na definição do calendário internacional, um dos pontos mais sensíveis da disputa.

Calendário da FIFA vira ponto central do atrito

O debate em torno do calendário global vem se arrastando há meses, e não é difícil entender a razão. As ligas nacionais europeias veem com preocupação o que chamam de “expansão contínua” do calendário, em um cenário em que novas competições e torneios ampliados podem comprimir ainda mais a rotina dos clubes.

A insatisfação ganhou força com a possibilidade de mais edições do Mundial de Clubes e com o aumento de competições entre seleções. Para os grandes campeonatos domésticos, isso representa menos espaço para descanso, mais risco de sobrecarga e menor margem para proteger a integridade esportiva.

Uma fonte ligada ao tema indicou que a nota conjunta deve defender maior independência nos mecanismos de controle da FIFA e exigir um papel mais relevante para as partes interessadas nas decisões. Em outras palavras, as ligas querem deixar de ser apenas consultadas depois que as principais escolhas já foram encaminhadas.

Premier League e ligas da Europa ampliam a pressão sobre Infantino

A manifestação não surge do nada. Há quase dois anos, a Associação das Ligas Europeias apresentou uma queixa jurídica à União Europeia sobre a condução da FIFA no gerenciamento do Calendário Internacional de Partidas. O grupo que prepara o novo comunicado é formado justamente por algumas das ligas mais influentes dessa frente de oposição.

Além da Premier League, Bundesliga, La Liga e Serie A, outras forças do futebol continental já vinham demonstrando desconforto com o rumo das decisões em Zurique. O conflito expõe uma disputa maior: de um lado, a centralização do poder na FIFA; de outro, o pedido para que clubes e campeonatos tenham voz real nas mudanças estruturais do futebol.

O texto que será publicado ainda passava por ajustes na quinta-feira, e não estava claro se haveria um pedido explícito para que Infantino deixe o cargo. Mesmo assim, a iniciativa já representa um recado político duro para a cúpula da entidade.

Infantino tenta abrir diálogo, mas evita mexer no próprio futuro

Na mesma semana, Infantino enviou uma carta a dirigentes das 211 federações filiadas à FIFA e ao Conselho da entidade. No documento, ele afirmou estar aberto a conversas sobre mudanças e disse que levaria ao Conselho a proposta de uma revisão externa e independente da atual estrutura de governança.

O plano incluiria discutir quem participa das grandes decisões, além dos papéis do presidente, do bureau, do Conselho e do Congresso. Também entrariam na pauta temas como transparência e prestação de contas, pontos cada vez mais cobrados por federações, confederações e entidades ligadas ao futebol profissional.

Infantino prometeu ainda que as discussões não seriam pré-julgadas e que o tema poderia ser analisado na próxima reunião do Conselho, marcada para o mês que vem. Ao mesmo tempo, deixou claro que pretende continuar no comando da FIFA, ao sustentar que suas responsabilidades vão além de qualquer divergência pontual.

Rejeição ao modelo e guerra por influência seguem abertas

A tensão em torno da FIFA também ganhou corpo depois da tentativa de vender 20% dos direitos comerciais da entidade a investidores privados. A proposta, que chegou a envolver nomes como Joshua Kushner, foi recebida com forte resistência por executivos do setor e por associações do futebol, que enxergaram o movimento como excessivamente agressivo.

O projeto acabou abandonado em julho, após reação global e ameaça de boicote a torneios organizados pela própria FIFA. O episódio deixou cicatrizes e reforçou a percepção de que a governança da entidade enfrenta resistência ampla, não apenas de ligas europeias, mas também de confederações importantes.

UEFA, Confederação Asiática e Concacaf já haviam pedido mudanças na liderança da FIFA. Agora, a entrada da Premier League e de outros gigantes domésticos aumenta a pressão sobre Infantino, que segue falando em reforma, mas sem abrir mão do cargo.

O que a nota conjunta pode significar para a FIFA

Se confirmada nos termos esperados, a manifestação desta sexta-feira pode ampliar o isolamento político da direção da FIFA em um momento sensível. O futebol europeu de elite tenta influenciar a forma como o jogo será organizado nos próximos anos, sobretudo em um cenário de calendário esticado e decisões cada vez mais contestadas.

Para as ligas, o objetivo parece claro: recuperar espaço na mesa de negociação antes que novas mudanças avancem sem consenso. Para Infantino, o desafio será sustentar a promessa de abertura sem transformar a revisão da governança em um questionamento direto sobre sua permanência.

A Premier League não comentou o assunto na quinta-feira. Ainda assim, o simples fato de se unir às principais ligas da Espanha, da Itália e da Alemanha já diz muito sobre a dimensão da pressão que a FIFA terá de administrar nos próximos meses.

Autor

Jornalista esportiva e Editora | 12 anos de experiência

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Fernanda Castelo é jornalista esportiva e editora com 12 anos de experiência na mídia digital e impressa. Graduada em Jornalismo pela PUC-SP, com especialização em Gestão Esportiva. Especializada no futebol de clubes brasileiro, mercado de transferências e aspectos financeiros do esporte. Acredita que o jornalismo esportivo deve ser honesto com o torcedor — sem clickbait e sem rumores não verificados. No Ganhador24, supervisiona a política editorial e produz conteúdos sobre o futebol de clubes no Brasil.

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