Derrota para a Espanha alivia a pressão sobre Tuchel, apesar do placar apertado
FIFA nunca oferece respostas simples quando uma seleção grande perde em casa, e o 3 a 2 da Inglaterra para a Espanha poderia ter deixado Thomas Tuchel em situação insustentável. A expectativa era dura: depois do desastre tático na semifinal da Copa do Mundo contra a Argentina, um novo tropeço diante dos campeões mundiais recém-coroado parecia abrir a porta para uma crise pesada.
Mas o desfecho em Wembley acabou produzindo um efeito curioso. Mesmo derrotado, o técnico saiu com menos danos do que se imaginava, porque a equipe mostrou entrega, criou bons momentos e, por instantes, fez frente a uma Espanha que segue como referência técnica do futebol europeu. A crítica, que parecia pronta para atropelar o treinador, precisou esperar.
Os detalhes que decidiram o jogo para a Espanha
O placar foi construído a partir de lances muito específicos em cada extremidade do campo. Logo aos dois minutos, Marc Guehi falhou perto da própria área e entregou a vantagem aos espanhóis. No outro lado, Harry Kane desperdiçou um pênalti, em uma noite em que o gramado também atrapalhou a cobrança.
Se o capitão inglês tivesse convertido a chance, a história poderia ter mudado de direção. A vantagem de dois gols talvez alterasse o roteiro emocional da partida, principalmente porque a Inglaterra teve uma fase de pressão forte e agressiva, com cara de time que queria assumir o risco.
Tuchel encontra números que sustentam a reação inglesa
Nem tudo, porém, passou a sensação de desequilíbrio que os olhos sugeriam em vários momentos. A Inglaterra terminou com 48% de posse de bola, criou mais passes certos no terço final do que a Espanha, finalizou apenas duas vezes a menos e somou mais que o dobro de toques dentro da área adversária. Também cruzou cinco vezes mais.
Esses dados não contam a história inteira, mas ajudam a entender por que o pós-jogo foi menos destrutivo do que muitos esperavam. A Espanha foi mais limpa, mais eficiente e gerou o dobro de grandes chances. Em resumo, quando chegou às zonas decisivas, o time de Luis de la Fuente foi mais letal e cometeu menos erros com a bola.
Um bom trecho, mas ainda sem os 90 minutos completos
O detalhe que mais pesou para aliviar o ambiente foi a resposta competitiva da Inglaterra em parte da partida. No período que pegou o fim do primeiro tempo e o início do segundo, a seleção anfitriã empurrou a campeã do mundo, jogou em alta rotação e foi muito mais parecida com o estilo tradicional inglês: intensidade, velocidade e ambição ofensiva.
Nesse intervalo, a equipe marcou dois gols e ainda poderia ter produzido mais. Não houve vaia ao apito final diante de 88 mil torcedores em Wembley, sinal de que o público reconheceu o esforço. Ainda assim, a sensação que ficou foi a mesma que Harry Kane destacou após o jogo: a missão segue sendo sustentar esse nível por 90 minutos inteiros, algo que também faltou em momentos da Copa do Mundo.
Próximos jogos da Inglaterra podem pesar mais do que a derrota para a Espanha
O que realmente passa a importar agora é a resposta imediata. A Inglaterra terá três partidas em oito dias, contra adversários que, em teoria, precisam ser superados: Croácia fora e República Tcheca em casa e fora, na ordem do calendário informado. Se vencer as três, o balanço da Data Fifa pode terminar positivo.
Há também um objetivo claro no horizonte: seguir viva na briga por uma vaga nas quartas de final da Liga das Nações. No grupo da Liga A, os dois primeiros avançam, e por isso a classificação ainda depende mais da campanha contra os outros rivais do que da distância para a própria Espanha. Para Tuchel, no entanto, a lógica é mais simples: o próximo jogo sempre parece o mais importante.
Tuchel ainda depende da sequência para encerrar a pressão
Foi justamente isso que tornou a derrota menos destrutiva e, ao mesmo tempo, mais enganosa. A Inglaterra perdeu para uma seleção muito superior no refinamento coletivo, mas deixou sinais de reação e competitividade. Isso não apaga os problemas, só empurra o julgamento para frente.
Se a equipe engatar uma boa sequência, a noite contra a Espanha será lembrada como uma derrota com saldo emocional aceitável. Se tropeçar de novo, a cobrança volta com força. No fim, Tuchel ainda convive com a mesma regra do futebol internacional: em seleções grandes, o próximo resultado costuma valer mais do que o anterior.