Arteta e a herança de Wenger e Guardiola sob olhar de ex-coach da Premier League


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Arteta e a herança de Wenger e Guardiola sob olhar de ex-coach da Premier League

Mikel Arteta tem tudo para seguir a cartilha dos grandes mestres que o formaram, e essa é justamente a leitura de Wayne Stack. Ao analisar o trabalho do treinador do Arsenal, o ex-integrante de comissão técnica da Premier League enxergou semelhanças com os métodos de Arsène Wenger e Pep Guardiola, duas referências que moldaram gerações de técnicos.

A comparação faz sentido porque Arteta passou por esse ambiente de alto nível e parece ter absorvido mais do que apenas ideias táticas. Stack vê no espanhol uma capacidade rara de organizar o time, desenvolver jogadores e, ao mesmo tempo, cobrar firmeza quando a dinâmica do grupo começa a se perder. Em sua avaliação, esse equilíbrio lembra bastante a escola que o Arsenal conheceu na era Wenger.

Arteta e a gestão do elenco no dia a dia

Stack lembrou que já teve um contato prático com o Arsenal de Arteta. Na época em que trabalhava no Watford, com Hayden Mullins, ele enfrentou os Gunners no Emirates durante a pandemia, em uma partida que terminou com vitória do Arsenal por 3 a 2. A visita, ainda que dolorosa para o Watford, serviu como uma espécie de janela para entender como Arteta monta suas equipes e prepara os jogos.

Esse tipo de observação pesa na avaliação do ex-coach. Para ele, o espanhol não se limita a ser um técnico organizado: constrói relações fortes com os jogadores e consegue elevar o nível individual de muitos deles. Ao mesmo tempo, não transmite a imagem de alguém permissivo, disposto a abrir mão da disciplina para preservar nomes ou status dentro do elenco.

Arteta e a exigência que lembra Wenger

Na leitura de Stack, a principal virtude de Arteta está na forma como ele protege a harmonia do grupo. Se alguém passar a atrapalhar o alinhamento interno, a tendência é de resposta rápida e dura. O ex-técnico do Watford foi direto ao dizer que não imagina Arteta com receio de tomar decisões grandes, mesmo quando isso envolve mexidas pesadas no time ou na hierarquia do elenco.

Essa postura, segundo ele, aproxima o atual treinador do Arsenal de Wenger. O francês também tinha uma linha firme de trabalho, ainda que com uma aparência muitas vezes mais serena. A comparação não surge apenas pela estética do jogo, mas pela convicção na construção do vestiário e pela cobrança por comprometimento coletivo.

O cenário do futebol mudou, mas a base continua relevante

Stack também aproveitou para contextualizar a diferença entre o futebol de sua época e o atual. Para ele, hoje há muito mais jogos, mais exigência física e maior necessidade de rotação. Quando estava no Arsenal, a lógica era outra: em partidas decisivas, o grupo-base era bastante fechado, com cerca de 13 jogadores sustentando a maior parte das grandes decisões.

Naquele período, nomes como Thierry Henry e Dennis Bergkamp jogavam quase sempre, semana após semana. As mudanças ficavam mais concentradas em rodadas de copa nacional ou, em casos específicos, em jogos sem peso competitivo na fase de grupos da Liga dos Campeões. Hoje, o cenário é bem diferente, com elencos mais amplos e mais espaço para descanso e alternância.

Essa transformação ajuda a explicar por que técnicos como Arteta precisam ser versáteis. Não basta apenas montar um time forte; é preciso administrar minutos, manter todos envolvidos e preservar a identidade da equipe mesmo com alterações constantes. Em competições longas, essa capacidade de adaptação costuma ser tão valiosa quanto a ideia de jogo.

Ao mesmo tempo, a espinha dorsal ainda importa. As equipes mais bem-sucedidas seguem dependendo de um núcleo confiável, mesmo que o calendário obrigue mais rotações do que no passado. É nesse ponto que a comparação com Wenger e Guardiola ganha força: os três, cada um à sua maneira, trabalham muito além do desenho tático e tratam o grupo como o primeiro alicerce de qualquer projeto.

Para o Arsenal, isso significa conviver com uma exigência alta e uma identidade mais definida. Arteta já demonstrou que conhece o caminho e, aos olhos de quem o viu de perto, tem perfil para manter a equipe competitiva sem abrir mão de padrões internos rigorosos. Um bom resumo da impressão deixada por Stack é simples: ele não vê o espanhol apenas como um treinador promissor, mas como alguém preparado para tomar decisões grandes quando o projeto pedir.

Autor

Jornalista esportiva e Editora | 12 anos de experiência

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Fernanda Castelo é jornalista esportiva e editora com 12 anos de experiência na mídia digital e impressa. Graduada em Jornalismo pela PUC-SP, com especialização em Gestão Esportiva. Especializada no futebol de clubes brasileiro, mercado de transferências e aspectos financeiros do esporte. Acredita que o jornalismo esportivo deve ser honesto com o torcedor — sem clickbait e sem rumores não verificados. No Ganhador24, supervisiona a política editorial e produz conteúdos sobre o futebol de clubes no Brasil.

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