Aposentadoria de Ashley Young expõe o preço físico de 23 anos de carreira
Ashley Young revelou que precisará de uma prótese no quadril poucas semanas depois de encerrar a carreira profissional. A admissão chama atenção não só pela contundência, mas também pelo contraste com o momento de celebração que marcou sua despedida: o ex-lateral deixou o futebol após a campanha que levou o Ipswich Town de volta à Premier League.
Aos 41 anos, o ex-Manchester United e ex-seleção da Inglaterra colocou um ponto final em uma trajetória de 23 temporadas. E, ao falar sobre o desgaste acumulado, deixou claro que a reta final foi muito mais dura do que o público imaginava. O corpo, em algum momento, cobrou a conta.
Como a lesão no quadril mudou a reta final de Ashley Young
Young contou que sentiu o problema no quadril ainda em novembro, quando precisou receber uma injeção para seguir atuando. Foi ali que, segundo ele, acendeu um alerta que costuma ser decisivo na vida de qualquer jogador em fim de carreira: se o corpo começa a pedir tratamento recorrente, algo já saiu do controle.
O diagnóstico foi ainda mais duro. Em novembro, os médicos indicaram que ele precisaria de uma cirurgia no quadril, embora num horizonte distante, de cerca de 10 anos. Meses depois, a situação se agravou, e o jogador passou a lidar com novas dores e com a necessidade de outra injeção para chegar ao fim da temporada.
O incômodo não ficou restrito ao tratamento. Em campo, cada movimento passou a ter um custo alto, e o desgaste avançou rapidamente. Young relatou que, no fim, já não conseguia treinar com regularidade por causa da dor.
Ashley Young tentou empurrar a dor até o fim da temporada
O episódio mais delicado aconteceu durante um treino do Ipswich. Perto da data em que voltaria a receber nova aplicação, Young sentiu o quadril piorar de forma clara. Naquele momento, entendeu que o problema tinha avançado além do tolerável.
Mesmo assim, não abriu mão de tentar ajudar o time. Segundo ele, houve um período de dois ou três meses em que ficou sem condições de treinar. Ainda assim, voltou a procurar os especialistas e foi direto ao ponto: não queria encerrar a passagem pelo clube em meio à limitação física.
O discurso do veterano combina com a imagem construída ao longo da carreira. Sem exagero e sem espetáculo, ele insistiu em seguir contribuindo enquanto fosse possível. A disciplina, nesse caso, coexistiu com a dor.
Ashley Young e o papel na promoção do Ipswich
Young disputou 15 partidas na última temporada, somando todas as competições, em uma campanha que terminou com o Ipswich na segunda colocação da Championship. O resultado confirmou o retorno do clube à Premier League e deu um desfecho simbólico ao último capítulo do inglês como jogador profissional.
Ele não esteve em campo na rodada final, mas valorizou a rotina com o elenco nas semanas decisivas. Nos dois meses derradeiros da competição, afirmou que treinou todos os dias, mesmo com a recomendação médica em sentido contrário. Para ele, a promoção no último dia da campanha tornou aquele esforço mais significativo.
Há, nesse ponto, uma leitura esportiva clara: a presença de um veterano desse porte vai além dos minutos jogados. No vestiário e no treino, Young ajudou a sustentar o ambiente de um grupo que conseguiu cumprir o objetivo principal da temporada.
O legado de um veterano de Manchester United e Inter de Milão
A despedida encerra uma carreira marcada por títulos e longa permanência em alto nível. No Manchester United, Young passou nove temporadas, virou ídolo de parte da torcida e chegou até a braçadeira de capitão. Seu período em Old Trafford rendeu conquistas importantes e consolidou sua imagem de jogador versátil e competitivo.
Ao longo da passagem pelo clube inglês, ele ergueu a Premier League, a Liga Europa, a Copa da Inglaterra e a Copa da Liga. Mais tarde, ainda adicionou ao currículo uma conquista da Serie A com a Inter de Milão, em 2021, ampliando o peso de uma trajetória que atravessou diferentes fases do futebol europeu.
Para além das taças, o relato sobre a cirurgia necessária ajuda a dimensionar o custo de uma carreira longa. Young saiu do futebol com título, respeito e a sensação de dever cumprido. Mas também com a marca física de quem passou 23 anos exigindo o máximo do próprio corpo.