Juarez Machado morre aos 85 anos e deixa legado que uniu arte e futebol
Juarez Machado morreu aos 85 anos nesta terça-feira (6), em Vassouras (RJ), e encerra uma trajetória marcada por brilho artístico e ligação afetiva com o futebol. Natural de Joinville (SC), o pintor, escultor, desenhista, caricaturista, ilustrador e cartunista foi um dos nomes mais conhecidos das artes visuais brasileiras. A família não divulgou a causa da morte.
Reconhecido também fora do país, Juarez construiu uma carreira sólida com exposições em diferentes partes do mundo. Ao longo das décadas, sua obra atravessou linguagens e formatos, sem perder a identidade que o transformou em referência para várias gerações.
Do início em Joinville à projeção nacional
A relação de Juarez Machado com a arte começou cedo. Em 1958, seu primeiro emprego foi como designer gráfico no Laboratório Catarinense, onde produziu rótulos e embalagens de remédios. Na mesma fase, também criou materiais para o Almanaque Renascim, dando os primeiros passos em uma carreira que ganharia projeção ampla.
O reconhecimento em escala nacional veio em 1966, quando passou a atuar como chargista em veículos importantes da imprensa brasileira. Entre eles, o Jornal do Brasil, onde assinava a coluna humorística Nonsense. O futebol já aparecia com força em seu trabalho e ajudava a ampliar seu alcance popular. Nos anos 1970, essa presença também chegou à televisão, com um quadro de humor no Fantástico.
Juarez Machado e a paixão pelo Joinville
Se a arte levou Juarez para fora do país, o Joinville Esporte Clube continuou no centro do seu afeto. Torcedor fanático do JEC, ele levou essa paixão para parte da própria produção, especialmente nas caricaturas e no olhar bem-humorado sobre o futebol.
Um dos exemplos mais simbólicos dessa ligação foi a camisa comemorativa criada por ele em 2006, em homenagem aos 30 anos do clube. A peça acabou incorporada ao acervo do instituto que leva o nome do artista, reforçando uma conexão rara entre identidade cultural e memória esportiva.
Paris, Montmartre e a consolidação internacional
No começo dos anos 1980, Juarez Machado se mudou para Paris e passou a viver em Montmartre, onde manteve seu principal ateliê. A mudança consolidou a fase internacional de sua carreira, mas não rompeu os vínculos com o Brasil. Ele seguiu mantendo ateliês em Joinville e no Rio de Janeiro, em uma convivência permanente entre origens e reconhecimento mundial.
A morte do artista encerra uma história que extrapolou a pintura e alcançou outros territórios da cultura. Juarez deixou marcas na imprensa, na televisão, nas galerias e também no futebol, onde sua relação com o Joinville virou símbolo de pertencimento. Para Joinville e para o meio artístico, fica a imagem de um criador múltiplo, inventivo e profundamente identificado com sua cidade.