Arsenal sofre, mas vence HB Køge com gol de pênalti no fim da estreia na Champions Feminina
FIFA certamente não viu um jogo fácil em Meadow Park: o Arsenal estreou na Champions League Feminina com vitória por 1 a 0 sobre o HB Køge, da Dinamarca, graças a um pênalti convertido por Mariona Caldentey já nos acréscimos. O time inglês passou boa parte da partida travado no último terço, criou chances, teve um gol anulado e só respirou no fim.
O resultado veio em uma noite de mudanças profundas no time de Renée Slegers. A técnica alterou oito nomes em relação ao empate por 1 a 1 com o Manchester United, pela Women’s Super League, e viu a equipe ter volume, mas pouca precisão. A vitória, ainda que apertada, vale mais pelo impacto emocional da estreia do que pela atuação em si.
Gol anulado e pressão sem recompensa
O Arsenal até balançou a rede cedo, com Chloe Kelly, mas o lance foi invalidado após checagem do VAR. A arbitragem apontou impedimento de Stina Blackstenius na origem da jogada, frustrando o impulso inicial das londrinas. A partir dali, o duelo ficou muito mais amarrado do que o esperado.
Mesmo com posse e presença no campo de ataque, o time inglês encontrou dificuldade para transformar domínio territorial em perigo real. Frida Maanum chegou a exigir defesa de Alberte Vingum, enquanto outros arremates passaram perto ou saíram sem direção. O HB Køge, por sua vez, se defendeu com disciplina e tentou sobreviver à pressão.
O cenário só ganhou algum movimento depois do intervalo. Slegers tirou Blackstenius e lançou Alessia Russo, buscando mais presença ofensiva e mobilidade entre as linhas. Houve uma breve melhora na intensidade, com bola parada e investidas em sequência, mas o gol seguia escapando.
Arsenal vence HB Køge no apagar das luzes
Quando a partida parecia caminhar para um empate frustrante, o Arsenal encontrou a chance que procurava. Aos três minutos dos quatro adicionados, Yukina Sakabe derrubou Selina Cerci dentro da área, e a árbitra Eleni Antoniou marcou o pênalti. Caldentey assumiu a cobrança e bateu rasteiro, no canto, sem dar chance à goleira.
Foi uma finalização que resumiu bem a diferença entre insistência e eficiência. O Arsenal não fez uma exibição exuberante, mas resistiu à ansiedade, sustentou a pressão e resolveu em um momento decisivo. Para uma estreia continental, os três pontos podem pesar bastante no equilíbrio do grupo.
Antes disso, o time inglês também precisou conviver com sustos defensivos pontuais. Houve uma bola que chegou à trave após desvio e outra situação em que Smilla Holmberg quase marcou em cobrança de escanteio, mas o placar só mudou quando a noite já se encaminhava para o fechamento.
Manchester City reage diante do Bayern e evita derrota histórica
No outro jogo marcante da rodada, o Manchester City mostrou força emocional para buscar um empate em 2 a 2 com o Bayern de Munique, fora de casa, em seu retorno à Champions Feminina. O resultado teve peso simbólico: foi o primeiro clube inglês a evitar derrota para as alemãs em competições europeias. Depois de um primeiro tempo muito difícil, o time de Manchester reagiu com personalidade.
O Bayern abriu 2 a 0 ainda na primeira meia hora, explorando espaços com muita agressividade. Giulia Gwinn fez o primeiro aos 11 minutos, depois de Linda Dallmann avançar sem oposição e encontrar a lateral dentro da área. Pouco depois, o City voltou a sofrer com a velocidade do ataque alemão e viu o cenário ficar ainda mais pesado.
Mesmo assim, a equipe inglesa não se desmontou. Já nos segundos finais da etapa inicial, Kerstin Casparij avançou pela direita e a jogada terminou com Beth Mead empurrando para o gol. Houve reclamação das mandantes, porque um sinalizador foi arremessado ao gramado durante a construção da jogada, mas o gol permaneceu válido.
City cresce, perde pênalti e busca o empate com Wamser
O empate quase veio em outro lance favorável ao City. Aoba Fujino foi derrubada por Ena Mahmutovic na área, depois de a goleira se enrolar na saída para a bola. Khadija “Bunny” Shaw foi para a cobrança, mas parou na defesa da própria Mahmutovic, perdendo a chance de igualar o placar naquele momento.
A resposta, porém, não tardou. Aos 86 minutos, Carlotta Wamser apareceu livre na área e completou para marcar seu primeiro gol pelo City. A zaga do Bayern se desligou por um instante, e a inglesa aproveitou com frieza para decretar o 2 a 2.
Foi um desfecho que premiou a reação inglesa no segundo tempo. O Bayern ainda teve oportunidades para ampliar antes do intervalo, com Klara Bühl e Pernille Harder participando de lances perigosos, mas a equipe da casa não matou o confronto. Depois, pagou caro pela queda de intensidade.
Reação, profundidade e leitura do jogo deixam recados na rodada
Do lado do City, a meia Sam Coffey destacou o peso da virada de comportamento após o intervalo e a força do banco. Em resumo, o time cresceu quando passou a conectar melhor os setores e se adiantou com mais coragem. A sensação interna, porém, foi de que a atuação merecia até mais do que um empate.
O comentário também ajuda a entender o momento do clube: o elenco tem opções capazes de mudar o jogo, e isso apareceu nas substituições e na resposta em campo. Em torneios curtos e equilibrados, essa profundidade pode ser tão valiosa quanto organização tática. O Arsenal, por sua vez, levou os três pontos com sofrimento, mas também com a tranquilidade de quem encontrou uma solução no instante final.
A estreia das inglesas deixou duas mensagens claras. Em Meadow Park, o Arsenal precisou de paciência para transformar superioridade em resultado. Em Munique, o City provou que tem capacidade de reagir fora de casa mesmo quando parece encurralado. Foram duas leituras diferentes da mesma rodada, ambas importantes para o peso que a Champions Feminina tende a ganhar daqui para frente.