Zidane fecha a porta para Kanté e Benzema na seleção francesa
A FIFA pode olhar para o tamanho dos nomes, mas Zidane optou por virar a página sem hesitação: N’Golo Kanté e Karim Benzema ficaram fora da primeira lista do novo técnico da seleção francesa. A convocação marca o início da era do ex-camisa 10 à frente dos Bleus, já com a Liga das Nações no horizonte, e trouxe escolhas que apontam para uma renovação mais clara do que muitos imaginavam.
Sem discursos abertos sobre despedida oficial, o recado foi direto. Zidane tratou as ausências como decisões técnicas, ainda que ambas tenham peso simbólico enorme por tudo o que construíram com a França. A mensagem, pelo menos nesta largada, é que a seleção quer avançar com outra base.
Kanté fica fora por escolha técnica e vê o cenário endurecer
No caso de Kanté, a decisão chama atenção porque o meio-campista não aparece em má fase no Fenerbahçe. Ainda assim, Zidane preferiu não incluí-lo e explicou que se tratou apenas de uma escolha de elenco, sem relação com a qualidade do jogador. Segundo o treinador, há atletas para fazer a equipe evoluir e, aos 35 anos, Kanté acabou preterido em nome do planejamento de médio prazo.
O discurso do novo comandante soa como um corte pragmático. Zidane fez questão de elogiar o histórico do volante, descrevendo-o como exemplar, mas ao mesmo tempo deixou claro que precisa tomar decisões pensando nos próximos anos. Na prática, isso empurra Kanté para uma posição delicada na seleção, com pouca margem para retorno.
Zidane também afasta Benzema da seleção francesa
Com Benzema, o tom foi parecido. O atacante, que neste momento está sem clube após a saída antecipada do Al-Hilal, também ficou de fora da relação inicial e viu Zidane falar em necessidade de observar jogadores mais jovens. O técnico lembrou da relação construída com o atacante no Real Madrid, mas deixou claro que a etapa com o centroavante pode ter chegado ao fim.
Ao reconhecer a trajetória de Benzema por clubes e pela França, Zidane evitou qualquer ataque pessoal. Ainda assim, o efeito prático é duro: a ausência não soa apenas como uma baixa pontual, e sim como um sinal de encerramento de ciclo. Para um jogador que volta e meia era especulado na seleção, o corte desta vez parece ter muito mais peso.
Tchouaméni fica em Madrid e abre espaço para retorno futuro
Outra ausência observada foi a de Aurélien Tchouaméni, embora a situação seja diferente. O meio-campista do Real Madrid foi preservado porque passou por um período de dois meses parado, e Zidane avaliou que o melhor caminho era mantê-lo em recuperação na capital espanhola. Não há, portanto, indicação de um problema muscular grave.
O treinador explicou que o jogador está em processo de retomada física e precisa seguir esse cronograma. A leitura é positiva para o futuro: Tchouaméni deve continuar no radar e tem boas chances de voltar a aparecer nas próximas listas, ao contrário do que acontece com Kanté e Benzema neste primeiro recorte da nova gestão.
Primeira lista de Zidane já aponta mudança de perfil
A estreia de Zidane no comando da França não se resumiu às ausências. A lista para a Liga das Nações também abriu espaço para nomes novos, sinal de que o técnico pretende mexer na hierarquia desde cedo. Depois de uma Copa do Mundo, esse tipo de movimentação costuma marcar o início de uma reorganização interna, e o novo selecionador não escondeu isso.
O ponto central, por enquanto, é a franqueza. Zidane não deixou margem para interpretações sobre os casos de Kanté e Benzema, e sua fala sugere uma seleção que passa a olhar mais adiante. Se o tempo dirá se as escolhas serão corretas, o primeiro gesto já foi dado: a França entra numa nova fase, e algumas das páginas mais pesadas da última década ficaram definitivamente para trás.