Gullit aponta o que Xabi Alonso precisa para recolocar o Chelsea na briga pelo título


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Gullit aponta o que Xabi Alonso precisa para recolocar o Chelsea na briga pelo título

Briga pelo título do Chelsea passa, na visão de Ruud Gullit, por uma combinação que o clube ainda busca encontrar: estabilidade, tempo de trabalho e jogadores experientes para conduzir um elenco muito jovem. O ex-meia holandês avalia que o time de Stamford Bridge pode, sim, entrar na conversa com o Arsenal na Premier League, mas só se Xabi Alonso conseguir organizar a equipe com mais consistência.

O Chelsea começou a campanha com sinais animadores. Passou por Fulham e Brighton nas rodadas iniciais e parecia pronto para transformar o bom início em impulso na tabela. Porém, a derrota para o Arsenal no Emirates freou esse embalo e custou pontos valiosos justamente no momento em que a disputa pela liderança ainda estava em formação.

Enquanto isso, os Gunners mantiveram a trajetória perfeita e abriram vantagem sobre a maior parte dos concorrentes. Com exceção do Manchester City, poucos conseguiram acompanhar esse ritmo. Para Gullit, esse cenário deixa claro que o Chelsea terá de crescer rapidamente se quiser reduzir a diferença depois da pausa internacional.

Experiência como peça-chave na briga pelo título do Chelsea

Na leitura de Gullit, o primeiro movimento de Xabi Alonso foi acertado: reforçar o elenco com nomes mais rodados. Ele entende que o clube percebeu a necessidade de mudar uma filosofia que vinha apostando demais em juventude e pouca liderança dentro do grupo.

O ex-jogador do Chelsea destacou a importância de duas contratações feitas no verão europeu: Jordan Henderson e Danny Welbeck. Para ele, os dois podem funcionar como referências no vestiário e também no dia a dia de treino, ensinando os mais jovens sobre o que é necessário para sustentar uma campanha de título.

A lógica é simples. Um elenco talentoso nem sempre sabe, sozinho, como lidar com pressão contínua, sequência de jogos grandes e a cobrança por resultados imediatos. É nesse ponto que a experiência ganha peso, sobretudo em um campeonato tão exigente quanto a Premier League.

Briga pelo título do Chelsea depende de consistência

Gullit foi direto ao tratar da principal barreira: sustentar o nível de desempenho ao longo da temporada. Para ele, até existe a possibilidade de o Chelsea vencer a Premier League sob o comando de Alonso, mas isso depende de uma regularidade que ainda precisa ser construída.

O holandês lembra que o clube tem muitos jovens no elenco e, por isso, o processo não deve ser instantâneo. Alonso terá de impor ordem, ajustar detalhes e encontrar um padrão confiável de jogo. Sem isso, a equipe pode alternar bons momentos com quedas de rendimento, o que costuma ser fatal em uma corrida longa pelo título.

O próprio início da temporada mostrou fragilidades defensivas. Apesar das vitórias nas duas primeiras rodadas, o Chelsea figurou entre os times que mais sofreram gols nesse recorte inicial, atrás apenas de Aston Villa e Ipswich Town nesse aspecto. O dado ajuda a explicar por que a equipe ainda inspira dúvidas mesmo quando vence.

O peso dos gastos e a dificuldade de acertar contratações

Outro ponto levantado por Gullit foi o modelo de investimento do Chelsea desde a venda do clube por Roman Abramovich, em maio de 2022. Desde então, o BlueCo desembolsou cerca de 2,1 bilhões de euros em 133 contratações e recuperou 1,37 bilhão de euros com 137 vendas. Nenhum outro clube da Premier League gastou tanto no período, embora o volume de saídas também tenha sido alto.

Curiosamente, o Arsenal apresenta um gasto líquido maior do que o Chelsea nesse recorte recente. Ainda assim, a leitura de Gullit não gira apenas em torno de cifras. Para ele, ter muito dinheiro não resolve o problema central: gastar bem é muito mais difícil do que gastar muito.

O ex-jogador citou a competitividade da Premier League e o tempo de adaptação exigido dos reforços. Na visão dele, nem todo atleta de alto nível encaixa de imediato no ritmo, na intensidade e nas exigências táticas do futebol inglês. Por isso, o sucesso instantâneo costuma ser exceção, não regra.

Como referência de autoridade esportiva e organização global, o futebol segue sendo moldado por processos longos e por margens pequenas de acerto, algo que ajuda a explicar por que clubes grandes continuam sujeitos a tropeços e reformulações. Em um cenário assim, a margem para erro é curta, e a pressão por resultado cresce muito rápido, tanto no Chelsea quanto em rivais diretos como Arsenal e Liverpool, além de outros gigantes europeus sob acompanhamento da FIFA.

Arsenal, Liverpool e a lição que o Chelsea ainda tenta aprender

Gullit usou o Arsenal como exemplo de construção gradual. Na avaliação dele, os londrinos não chegaram ao atual nível por acaso, mas por um processo de anos, com investimento contínuo e ajustes sucessivos até encontrar uma base sólida.

O ex-meia também lembrou o caso do Liverpool para ilustrar como o futebol pode ser imprevisível. Mesmo equipes que parecem muito fortes em uma fase acabam eliminadas sem aviso quando a competição entra no momento decisivo. Para ele, esse tipo de desfecho reforça a ausência de certezas no jogo.

No fundo, a mensagem de Gullit é clara: o Chelsea tem material humano para sonhar alto, mas ainda precisa transformar potencial em rotina. Se Alonso conseguir dar equilíbrio ao elenco e aproveitar a influência dos jogadores mais experientes, a disputa pelo topo deixa de ser apenas possibilidade distante e passa a ser objetivo real.

Autor

Jornalista esportivo sênior | 11 anos de experiência

  • Futebol brasileiro
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  • análise pré-jogo

Carlos Mendes é jornalista esportivo sênior com 11 anos de experiência na mídia esportiva brasileira e internacional. Formado em Jornalismo pela Universidade de São Paulo (USP). Especializado no Campeonato Brasileiro Série A, Copa Libertadores e jogos da Seleção Brasileira. Ao longo da carreira, cobriu diversas edições da Copa América e outros grandes torneios internacionais. Segue um princípio claro: todo conteúdo deve ser baseado exclusivamente em fontes verificadas e estatísticas oficiais. No Ganhador24, é responsável pela análise pré-jogo, cobertura de torneios e análises aprofundadas dos principais eventos da temporada futebolística.

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