Zidane corta membro da comissão após fala à imprensa


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Zidane corta membro da comissão após fala à imprensa

FIFA e disciplina caminharam juntas desde o primeiro movimento da nova era de Zinedine Zidane na seleção francesa. Antes mesmo de a equipe entrar em campo, o treinador precisou administrar uma pequena crise interna: Marc Relati, integrante do staff médico, deixou o cargo poucos dias depois de ser anunciado. O motivo foi uma entrevista concedida à imprensa logo após a nomeação.

A situação ganhou contornos ainda mais delicados porque o desligamento ocorreu depois da divulgação da lista definitiva da comissão, em setembro, alterando apenas um nome em relação à versão apresentada em agosto. Relati, podólogo de profissão, afirmou que não teve acesso ao contrato com a cláusula de confidencialidade antes de falar publicamente sobre a novidade. Para ele, a punição foi desproporcional ao episódio.

O que levou à saída de Marc Relati

Relati explicou que recebeu o documento por e-mail apenas no dia 14 de agosto, depois de conceder entrevista à RMC, na qual expressou surpresa e alegria por integrar a equipe dos Bleus. Segundo seu relato, só ao ler o contrato percebeu que havia uma exigência de reserva estrita diante da imprensa.

Na avaliação do profissional, se a orientação tivesse sido comunicada antes, o desfecho seria outro. Ele foi direto ao afirmar que não agiu com má-fé e disse que não teria falado com os jornalistas caso soubesse da restrição desde o início. A defesa, portanto, gira menos em torno do conteúdo da entrevista e mais em torno da ausência de uma instrução prévia clara.

Zidane e o recado ao staff da seleção francesa

Para o podólogo, a perda do posto acabou servindo como exemplo para o restante da comissão. A leitura dele é que Zidane quis deixar claro que qualquer aproximação imprudente com a imprensa terá consequência, independentemente da função ocupada dentro da estrutura da seleção.

Relati também argumenta que o episódio mereceria uma advertência, e não uma exclusão completa. Na sua visão, uma punição mais leve bastaria para corrigir a falha. Ainda assim, o acordo não foi revisto, e ele acabou fora da versão final do staff anunciada pelo treinador.

Uma estreia marcada por controle e discrição

O caso expõe um traço importante do início de trabalho de Zidane à frente da França: o controle rigoroso sobre a exposição pública. Em um momento de anúncio de elenco e montagem de comissão, o treinador optou por fechar a porta para qualquer ruído desnecessário. Isso vale tanto para os jogadores quanto para quem atua fora de campo.

Esse tipo de postura costuma ser comum em seleções que buscam blindagem durante o início de um ciclo. No caso francês, a mensagem foi rápida e sem margem para dúvidas: quem integra o projeto precisa seguir a linha definida pela comissão técnica. Relati, por sua vez, garante que recebeu a lição de forma dura demais, mas trata o episódio como encerrado.

O impacto do episódio na nova fase dos Bleus

Mesmo sem mexer diretamente na preparação dos primeiros compromissos, a saída de um profissional do staff já cria um sinal interno sobre o tom da gestão. Zidane assumiu a seleção cercado de expectativa, e qualquer decisão fora do campo passa a ser observada com atenção redobrada. A troca no setor médico não muda o plano esportivo, mas ajuda a desenhar o ambiente em torno da equipe.

Para a comissão, o caso também reforça a necessidade de alinhamento absoluto desde o primeiro dia. Em seleções, onde o tempo de convivência é curto e a pressão pública é permanente, detalhes administrativos podem ganhar peso desproporcional. Foi o que aconteceu com Marc Relati, que entrou, saiu e acabou transformado em símbolo de uma tolerância zero com vazamentos à imprensa.

Autor

Jornalista esportiva e Editora | 12 anos de experiência

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Fernanda Castelo é jornalista esportiva e editora com 12 anos de experiência na mídia digital e impressa. Graduada em Jornalismo pela PUC-SP, com especialização em Gestão Esportiva. Especializada no futebol de clubes brasileiro, mercado de transferências e aspectos financeiros do esporte. Acredita que o jornalismo esportivo deve ser honesto com o torcedor — sem clickbait e sem rumores não verificados. No Ganhador24, supervisiona a política editorial e produz conteúdos sobre o futebol de clubes no Brasil.

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