Moslem Anatouf chega ao CS Constantine em busca de um recomeço


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Moslem Anatouf chega ao CS Constantine em busca de um recomeço

Moslem Anatouf desembarca no CS Constantine com uma missão simples e, ao mesmo tempo, decisiva: voltar a jogar no lugar certo e recuperar a fluidez que o transformou em referência da base da Argélia. Aos 20 anos, o atacante já conheceu o peso da fama precoce, a frustração de uma lesão séria e a pressão de chegar ao MC Alger cercado de expectativa.

O empréstimo ao CSC aparece, portanto, como uma espécie de reinício. Depois de temporadas marcadas por interrupções, posicionamento discutível e minutos limitados, Anatouf pode finalmente tentar reconstruir sua trajetória em ritmo menos turbulento. Não se trata mais de provar que era um prodígio. Trata-se de reencontrar continuidade.

Moslem Anatouf foi a grande figura da seleção sub-17

Em 2023, o nome de Moslem Anatouf estava entre os mais comentados do futebol juvenil argelino. Capitão da seleção sub-17, ele liderava o ataque e concentrava em si boa parte das esperanças daquela geração. Na Copa Africana de Nações disputada na Argélia, marcou três gols: dois diante da Somália, na estreia, e mais um contra o Congo.

Naquele momento, a sensação era clara. Anatouf parecia adiantado em relação aos colegas, tanto no talento quanto na maturidade competitiva. Para quem o acompanhava de perto, ele já não era apenas uma promessa. Era o jogador que puxava os outros para cima.

Sofiane Benkhelifa, educador e formador que acompanhou a evolução do atacante, resume bem essa impressão. Para ele, Anatouf era quase o “patrão” daquela geração na seleção sub-17, tamanha a diferença que apresentava em relação aos demais jovens em evidência no campeonato argelino.

O talento de Moslem Anatouf chamou atenção cedo demais

Areksi Remmane, ex-selecionador das categorias de base e hoje diretor técnico esportivo da USMA, foi um dos primeiros a observar o atacante em Tindouf, em dezembro de 2019. A impressão inicial foi forte. O formador lembrou que, já na primeira observação, enxergou em Anatouf um perfil raro, com presença, caráter e recursos técnicos acima da média para a idade.

Remmane destacou também a maturidade do jovem. Na avaliação dele, Anatouf tinha postura de liderança e potencial para virar capitão em alguma seleção futura. O treinador ainda citou o desempenho escolar do atacante, que concluiu o ensino médio à distância com média 16, algo que reforçava sua imagem de seriedade fora de campo.

Esse pacote de atributos fez Anatouf ser tratado muito cedo como nome de destaque. O problema é que essa exposição também cobrou seu preço.

Uma trajetória acelerada demais para Moslem Anatouf

O próprio Remmane faz uma leitura crítica da forma como o jogador foi conduzido. Segundo ele, Anatouf foi utilizado com frequência em categorias acima da sua idade, acumulando jogos em sequência e, em alguns momentos, duas partidas por semana. Na visão do técnico, essa pressa acabou comprometendo parte do processo natural de formação.

Depois veio a lesão no ligamento cruzado, que interrompeu a evolução e exigiu um longo período de recuperação, inclusive com passagem por Aspetar. Benkhelifa considera que o azar pesou bastante nesse momento, porque o atacante já vinha enfrentando uma curva ascendente muito exposta.

Houve ainda a chegada ao MC Alger com enorme expectativa. Para um jogador tão jovem, essa pressão tornou a adaptação mais pesada. O talento seguiu ali, mas o ambiente passou a exigir respostas imediatas, justamente quando Anatouf precisava de tempo.

No MCA, Moslem Anatouf atuou longe da área

O MC Alger apostou alto ao contratá-lo gratuitamente, em 2023, e assinou com o atacante um vínculo longo, de cinco anos. A ideia era clara: proteger um dos maiores talentos da base argelina e incorporá-lo ao elenco principal com calma. Na prática, porém, nem sempre o encaixe foi o ideal.

Mohamed Mekhazni, ex-DTS do MCA e ex-comandante da seleção sub-20, elogiou muito a mentalidade do jogador. Para ele, Anatouf é dos mais profissionais da geração, muito exigente consigo mesmo, forte fisicamente, adiantado na pressão e competente dentro da área.

O problema, segundo Mekhazni e também Remmane, foi a utilização tática. Anatouf atuou em várias ocasiões pelos lados do ataque, embora se sinta mais confortável pelo centro, seja como centroavante, seja como um 9 e meio. Na leitura dos dois, isso reduziu seu impacto.

Na temporada 2025/26, ele somou 11 partidas na Ligue 1 argelina e marcou um gol. Houve experiência, sim, mas não a sequência necessária para transformar potencial em consistência.

CS Constantine pode devolver o ritmo a Moslem Anatouf

O empréstimo ao CS Constantine oferece ao atacante algo que lhe faltou recentemente: tempo de jogo, rotina e uma função mais próxima de suas características. Em vez de carregar rótulos, Anatouf precisa de campo. Precisa de minutos. Precisa, sobretudo, de uma posição fixa para voltar a produzir com regularidade.

Benkhelifa vê a chance de reação, ainda que mantenha certa frustração por imaginar o jogador em outro patamar nesta altura da carreira. Já Mekhazni aposta que o CSC pode ser o ponto de virada. Na visão dele, Anatouf ainda tem caminho para retomar a curva que parecia apontar, cedo, para uma projeção internacional.

O atacante também esteve no grupo da Argélia sub-21 campeã nos Jogos Mediterrâneos de Taranto. Lá, já não tinha o protagonismo dos tempos de sub-17, mas seguiu integrado ao elenco e participou da reta final da campanha, inclusive jogando parte da decisão contra a Tunísia.

O cenário, agora, é outro. Aos 17 anos, Anatouf era o capitão e a principal referência. Aos 20, ele precisa reconstruir a carreira etapa por etapa. O talento continua reconhecido por todos que o acompanharam desde cedo, mas o que vem pela frente depende menos de expectativa e mais de sequência. Em Constantine, o objetivo é simples: voltar a avançar.

Se conseguir isso, Moslem Anatouf deixará para trás a imagem de promessa interrompida e pode, enfim, transformar sua precocidade em trajetória. Para quem foi tão exposto tão cedo, talvez o passo mais importante seja justamente o mais básico: jogar, ganhar confiança e repetir.

Para mais informações sobre a estrutura e os compromissos do futebol internacional, consulte a FIFA.

Autor

Jornalista esportivo sênior | 11 anos de experiência

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Carlos Mendes é jornalista esportivo sênior com 11 anos de experiência na mídia esportiva brasileira e internacional. Formado em Jornalismo pela Universidade de São Paulo (USP). Especializado no Campeonato Brasileiro Série A, Copa Libertadores e jogos da Seleção Brasileira. Ao longo da carreira, cobriu diversas edições da Copa América e outros grandes torneios internacionais. Segue um princípio claro: todo conteúdo deve ser baseado exclusivamente em fontes verificadas e estatísticas oficiais. No Ganhador24, é responsável pela análise pré-jogo, cobertura de torneios e análises aprofundadas dos principais eventos da temporada futebolística.

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