Vasco volta à Justiça para tentar mandar jogo no Maracanã contra o Boca Juniors


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Vasco volta à Justiça para tentar mandar jogo no Maracanã contra o Boca Juniors

Vasco no Maracanã voltou a virar caso de tribunal nesta quinta-feira, quando o clube acionou a Justiça para tentar assegurar o palco da partida de volta da semifinal da Copa Sul-Americana contra o Boca Juniors. Sem a liberação da Conmebol para usar São Januário, a diretoria cruz-maltina tenta repetir um caminho que já apareceu outras vezes nos últimos anos.

A disputa não é nova. Antes mesmo da licitação atual, o clube já havia enfrentado negativas da gestão de Flamengo e Fluminense e precisou buscar amparo judicial para jogar no estádio. Em vários momentos, o argumento usado pelos administradores girou em torno da preservação do gramado, enquanto o Vasco defendia seu direito de utilização do complexo.

Vasco no Maracanã já foi definido pela Justiça em outras três ocasiões

Entre 2022 e 2023, o Vasco conseguiu na Justiça o direito de atuar no Maracanã em três oportunidades. Naquele período, Flamengo e Fluminense administravam o estádio por meio de um Termo de Permissão de Uso, renovado sucessivas vezes sem concorrência pública.

Desde a licitação de 2024, vencida pela dupla, o clube recorreu aos tribunais apenas uma vez contra a negativa de uso e acabou derrotado. Ainda assim, o histórico recente ajuda a explicar por que o novo pedido ganhou tanta atenção nos bastidores vascaínos.

Os casos de 2022 e 2023 que moldaram a disputa pelo estádio

O primeiro episódio relevante ocorreu em 2022, contra o Sport, pela Série B. Na ocasião, a Justiça entendeu que o Maracanã é um bem público e que o Flamengo ocupava a posição de mero permissionário do complexo. O impasse surgiu depois de o Vasco ter seu pedido vetado pela concessionária e reclamar de valores de aluguel altos, limitações para faixas institucionais e ausência de participação nas receitas de bares.

No ano seguinte, o clube voltou ao tribunal em dois jogos marcantes. Contra o Atlético-MG, a negativa inicial acabou derrubada, e o Vasco manteve a autorização judicial para atuar no estádio. Na decisão, o desembargador Nagib Slabi Filho destacou o caráter social do Maracanã, indo além da ideia de gestão temporária de clubes.

Já no duelo com o Palmeiras, também em 2023, a resposta da Justiça foi favorável ao Vasco. O desembargador Luiz Eduardo Cavalcanti Canabarro manteve a tutela de urgência e apontou contradição nos argumentos de preservação do gramado, lembrando que o próprio calendário previa uma sequência pesada de partidas em poucos dias naquele mês de abril.

Vasco no Maracanã perdeu uma briga recente em 1ª instância

Nem todos os movimentos do clube terminaram em sucesso. No confronto contra o Vitória, pela Copa do Brasil, o Vasco levou o caso ao Judiciário depois de a concessionária informar que o Maracanã não estaria disponível. A direção alegou que o contrato firmado com a administração do estádio deveria ser respeitado.

Dessa vez, a justificativa apresentada por Flamengo e Fluminense foi a reserva integral da semana de 23 a 29 de agosto para recuperar o gramado. A decisão de primeira instância foi desfavorável ao Vasco, que não avançou com novo recurso.

Também houve outras tentativas frustradas fora do tribunal. Em 2022, o clube queria receber a Chapecoense no Maracanã, mas aceitou a negativa e levou a partida para São Januário. Já em 2026, houve novo pedido para enfrentar o Palmeiras na Copa do Brasil, novamente sem batalha judicial. A exceção mais recente aceita sem contestação foi a final da Copa do Brasil de 2025 contra o Corinthians.

O argumento do Vasco para a decisão contra o Boca Juniors

No cenário atual, o Vasco sustenta que o Maracanã atende melhor às exigências da Conmebol e também às recomendações de segurança pública da Polícia Militar. O clube afirma ainda que a opção pelo Nilton Santos criaria uma desvantagem esportiva clara, já que o campo sintético exigiria adaptação em uma competição continental.

Outro ponto que pesa na estratégia vascaína é o prazo da entidade sul-americana. A Conmebol pede a definição oficial do estádio com dez dias de antecedência, o que pressiona a solução do caso e mantém aberta a possibilidade de novo capítulo nos tribunais.

Enquanto isso, o Maracanã segue no centro de uma disputa que mistura logística, calendário, relações políticas e direito de uso. Para o Vasco, o estádio voltou a ser a alternativa mais forte num momento decisivo da temporada. Para a administração, o debate continua girando em torno da agenda e do gramado. A resposta final, por ora, ainda depende da Justiça.

Autor

Jornalista esportiva e Editora | 12 anos de experiência

  • Futebol de clubes
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Fernanda Castelo é jornalista esportiva e editora com 12 anos de experiência na mídia digital e impressa. Graduada em Jornalismo pela PUC-SP, com especialização em Gestão Esportiva. Especializada no futebol de clubes brasileiro, mercado de transferências e aspectos financeiros do esporte. Acredita que o jornalismo esportivo deve ser honesto com o torcedor — sem clickbait e sem rumores não verificados. No Ganhador24, supervisiona a política editorial e produz conteúdos sobre o futebol de clubes no Brasil.

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