Irlanda investiga denúncia de racismo contra Adam Idah após vitória sobre Israel


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Irlanda investiga denúncia de racismo contra Adam Idah após vitória sobre Israel

FIFA — A FIFA não está envolvida no caso, mas a denúncia de racismo contra Adam Idah colocou a Associação de Futebol da Irlanda em movimento após a vitória por 3 a 0 sobre Israel, pela Liga das Nações da Uefa. O órgão irlandês apura se o atacante do Swansea City foi alvo de cânticos abusivos vindos de parte dos torcedores israelenses presentes na partida.

O episódio ganhou força ainda durante o jogo. Jayson Molumby, meio-campista da seleção irlandesa, teria alertado a arbitragem para que ficasse atenta a gritos que ele considerou ofensivos. Depois do apito final, os oficiais informaram à equipe da federação que não haviam ouvido manifestações racistas no restante da partida.

FAI reúne imagens e áudios para esclarecer o episódio

Sem um relato claro de racismo feito no momento do jogo, a investigação formal da Uefa não foi aberta. A orientação recebida pela FAI foi de que os protocolos normais não tinham sido acionados durante a partida, o que travou uma apuração imediata pela entidade europeia.

Diante disso, a federação irlandesa decidiu conduzir sua própria análise. O material reunido inclui imagens de alta qualidade e gravações de áudio captadas próximas ao gramado, com o objetivo de verificar se houve, de fato, ofensa direcionada a Idah. Um painel será formado para examinar todo esse conteúdo antes de qualquer novo passo.

Se esse grupo entender que há indícios consistentes de abuso racial, a FAI pretende formalizar uma queixa à Uefa e pedir uma investigação complementar. Ainda não há definição sobre o momento em que essa eventual apresentação ocorrerá, se antes ou depois do duelo sem público contra Israel, marcado para domingo, em Backa Topola, na Sérvia.

Irlanda venceu em campo, mas o clima fora dele foi turbulento

Idah marcou o segundo gol da Irlanda em uma partida cercada de tensão antes mesmo do pontapé inicial. O jogo foi disputado em Debrecen, na Hungria, depois de ser transferido para longe do território irlandês em meio a protestos de torcedores e políticos contra a realização dos confrontos com Israel.

Não houve venda de ingressos para torcedores irlandeses, enquanto cerca de 300 apoiadores de Israel acompanharam a partida. O confronto, formalmente mandante para a República da Irlanda, acabou deslocado para um canto remoto da Europa, cenário que reforçou a atmosfera incomum ao redor do compromisso.

A decisão da FAI de disputar os jogos foi tomada no início do ano, após preocupação com possíveis sanções caso optasse pelo boicote. Entre as consequências consideradas estavam multas e até exclusão de competições, um risco que pesou na escolha da entidade.

Política, protestos e tensão marcaram a semana da seleção

O ambiente em torno da seleção irlandesa já era delicado antes da bola rolar. Houve protestos de torcedores e debates internos entre os jogadores sobre a conveniência de disputar o encontro. A preparação também foi afetada por atrasos no treino e na entrevista coletiva pré-jogo.

Em meio a esse cenário, o goleiro Gavin Bazunu deixou a concentração após uma longa reunião no hotel, quando o jogo ainda parecia incerto. Em mensagem publicada nas redes sociais, ele explicou que, por princípios de fé e caráter, considerava errado participar dos próximos compromissos contra Israel.

Bazunu, porém, retornou ao grupo para a partida de quinta-feira contra a Áustria, em Dublin, e ficará novamente fora do segundo duelo contra Israel. A seleção irlandesa ainda tem três compromissos pela frente nesta janela internacional, e o caso envolvendo Idah surge como mais uma camada de pressão no vestiário.

FAI quer evitar novo cruzamento com Israel em futuras competições

Além da apuração sobre o possível abuso racista, a federação da Irlanda já pediu à Uefa que mantenha Irlanda e Israel separadas em futuros sorteios. A solicitação reflete o nível de desconforto que cerca essa rivalidade recente, que extrapolou o campo esportivo e passou a conviver com manifestações públicas e posicionamentos políticos.

Antes da partida, as seleções não trocaram apertos de mão nem lembranças protocolares. Os jogadores irlandeses também baixaram a cabeça durante o hino de Israel, enquanto Jack Moylan beijou a braçadeira preta usada pelo grupo em “reconhecimento a todas as vidas perdidas no conflito”, após marcar o terceiro gol.

Do lado israelense, o capitão Manor Solomon adotou discurso duro ao projetar o reencontro. Ele afirmou esperar uma partida completamente diferente e disse que a equipe está orgulhosa de representar o país, em declarações que deixaram claro o grau de hostilidade instalado entre os dois lados.

Por ora, o foco da FAI está em separar emoção de evidência. A entidade quer saber se houve, de fato, comportamento racista contra Adam Idah. Se a resposta for positiva, o caso deve subir para a Uefa e ganhar novo capítulo nos próximos dias.

Autor

Jornalista esportivo sênior | 11 anos de experiência

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  • análise pré-jogo

Carlos Mendes é jornalista esportivo sênior com 11 anos de experiência na mídia esportiva brasileira e internacional. Formado em Jornalismo pela Universidade de São Paulo (USP). Especializado no Campeonato Brasileiro Série A, Copa Libertadores e jogos da Seleção Brasileira. Ao longo da carreira, cobriu diversas edições da Copa América e outros grandes torneios internacionais. Segue um princípio claro: todo conteúdo deve ser baseado exclusivamente em fontes verificadas e estatísticas oficiais. No Ganhador24, é responsável pela análise pré-jogo, cobertura de torneios e análises aprofundadas dos principais eventos da temporada futebolística.

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