Eritreia monta nova seleção após deserções antes da Copa Africana de Nações


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Eritreia monta nova seleção após deserções antes da Copa Africana de Nações

Eritreia vai encarar as Eliminatórias da Copa Africana de Nações com uma seleção praticamente refeita depois da saída de sete jogadores que pediram asilo na África do Sul. O movimento obrigou a federação a recorrer à diáspora para preencher o elenco antes do duelo do Grupo D contra o Bafana Bafana.

A mudança de rumo expõe um problema antigo para o futebol eritreu. Ao mesmo tempo, abre espaço para uma equipe com cara nova, formada em grande parte por atletas que atuam fora do país e que agora precisam se entrosar rapidamente para competir em alto nível.

Sete jogadores desapareceram após a classificação sobre Eswatini

A crise ganhou força depois da classificação sobre Eswatini, em março, quando Eritreia confirmou o avanço com vitória agregada por 4 a 1. Logo após esse resultado, sete atletas deixaram a delegação e desapareceram, antes de mais tarde buscarem asilo político em território sul-africano.

Esse episódio se encaixa em uma longa história de deserções envolvendo esportistas eritreus. O pano de fundo, como relatam grupos de exilados, passa pelo temor de serviço militar indefinido e pela repressão severa no país, fatores que ajudam a explicar por que tantos atletas optam por não retornar.

Eritreia aposta em jogadores da diáspora para as primeiras rodadas

Diante da debandada, as autoridades orientaram a federação a priorizar convocados com dupla nacionalidade e base no exterior. Para os dois primeiros compromissos da fase de grupos, a lista reúne 27 jogadores vinculados a clubes de 13 países diferentes.

O grupo também revela a dimensão da reconstrução. Apenas três atletas que atuam localmente permanecem entre os nomes chamados de volta após a viagem a Eswatini, enquanto 14 jogadores receberam a primeira convocação para a seleção principal.

Entre os nomes mais conhecidos está o meio-campista Tesfaldet Tekie, do Hammarby, que soma passagem pela seleção principal da Suécia. Ele já havia sido chamado em março, mas não viajou para o confronto decisivo contra Eswatini.

Bafana Bafana encara adversário renovado e pouco conhecido

Eritreia abre sua caminhada no Grupo D contra o Quênia, em Nairóbi, no sábado, antes de receber a África do Sul no dia 30 de setembro. O jogo contra os sul-africanos será disputado no Cairo, porque o país não dispõe de estrutura adequada para sediar a partida.

Para o Bafana Bafana, isso significa enfrentar uma equipe de perfil quase desconhecido, já que o elenco foi totalmente remodelado. A falta de referências recentes torna a preparação mais complexa, sobretudo porque a base atual da seleção eritreia ainda precisa transformar convocação em time.

O cenário também chama atenção pelo contraste com o passado recente. Eritreia costumava evitar as eliminatórias por receio de novas deserções, mas decidiu retornar à competição neste ano. A aposta, porém, já foi abalada antes mesmo do início da fase de grupos.

Agora, resta saber se a nova formação conseguirá se ajustar a tempo de competir de igual para igual. O desafio é grande, e o calendário não ajuda: com pouco tempo de trabalho, Eritreia terá de acelerar a integração de peças espalhadas por vários campeonatos e culturas táticas diferentes.

Autor

Jornalista esportiva e Editora | 12 anos de experiência

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Fernanda Castelo é jornalista esportiva e editora com 12 anos de experiência na mídia digital e impressa. Graduada em Jornalismo pela PUC-SP, com especialização em Gestão Esportiva. Especializada no futebol de clubes brasileiro, mercado de transferências e aspectos financeiros do esporte. Acredita que o jornalismo esportivo deve ser honesto com o torcedor — sem clickbait e sem rumores não verificados. No Ganhador24, supervisiona a política editorial e produz conteúdos sobre o futebol de clubes no Brasil.

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