Expansão do estádio do Nottingham Forest avança, mas projeto esbarra em trânsito e acesso
A ampliação do estádio do Nottingham Forest ganhou novo fôlego, mas ainda precisa superar um ponto sensível fora das quatro linhas: a mobilidade ao redor do City Ground. O clube quer ir além do plano já aprovado há poucos meses, e essa mudança de escala obrigou o projeto a voltar à mesa das autoridades locais para uma nova análise.
A ideia não é recomeçar do zero, mas o desenho atual pede cuidados extras. Com a expansão, a arena pode receber até 21.300 pessoas a mais, um salto de 68% em uma área que já fica muito congestionada nos dias de jogo. Para quem vive perto do estádio, a transformação promete impacto direto no trânsito, no estacionamento e na circulação de ônibus.
Clube quer crescer, cidade quer respostas
O Nottingham Forest vive um momento esportivo que ajuda a explicar a ambição. Depois de temporadas consecutivas na elite e de uma campanha europeia, o clube passou a mirar uma estrutura mais condizente com seu novo patamar. A proposta mais recente amplia o alcance da reforma e reforça a intenção de consolidar o estádio como um equipamento de maior porte.
O avanço, porém, exige equilíbrio. Em bairros próximos, como Lady Bay, há reclamações antigas sobre vagas, bloqueios e dificuldade de acesso em dias de partida. O vereador Richard Mallender resumiu esse dilema ao defender a expansão sem ignorar os moradores: a ideia, segundo ele, não é travar o crescimento do clube, mas garantir que a vida de quem mora ali siga possível.
Essa preocupação não é só política; ela tem peso prático. Há relatos de ônibus cancelados e de moradores que acabam impedidos de sair de casa em horários de pico. Por isso, a discussão sobre a reforma do estádio se misturou rapidamente a um debate urbano mais amplo.
Nottingham Forest aposta em zona de estacionamento controlado
Entre as medidas em estudo, a criação de uma zona de estacionamento controlado ganhou força. A proposta prevê restringir vagas em um raio de 25 minutos de caminhada do estádio, por quatro horas antes e quatro horas depois do apito inicial, com exceções para moradores e empresas. A medida busca reduzir a pressão dos carros sobre as ruas mais próximas.
Dentro da legislação de planejamento, o clube não é obrigado a resolver problemas já existentes, a menos que a intervenção os agrave. Ainda assim, o Nottingham Forest deve contribuir com 990 mil libras para viabilizar esse sistema. O valor faz parte de um pacote maior, de 4,1 milhões de libras, voltado a estimular torcedores a chegar ao jogo sem usar veículo próprio.
Há ceticismo entre os conselheiros sobre a eficácia dessa migração de comportamento, conhecida como “modal shift”. Mesmo assim, o monitoramento do plano ficará a cargo de um novo grupo de trabalho sobre transportes, reunindo clube, autoridades locais e outros envolvidos no processo.
Travessia do Trent vira principal entrave para a obra
Se o estacionamento já exige soluções, o grande obstáculo está no River Trent. Uma proposta para fechar permanentemente duas faixas na Trent Bridge foi rejeitada pelas autoridades rodoviárias, e isso deixou a gestão do fluxo de pedestres no centro da discussão. O relatório de planejamento é claro ao apontar que a capacidade de circulação na ponte é o principal limite para a ampliação.
A alternativa mais comentada é uma nova ponte para pedestres e ciclistas, embora essa não seja a única saída possível. As prefeituras dos dois lados do rio, no entanto, deixaram claro que essa seria a opção preferida. O receio de parte da torcida era de que o clube tivesse de construir a travessia antes de tocar a reforma, o que empurraria o projeto por mais anos.
Não é exatamente isso que está previsto. A condição imposta no processo diz que o Nottingham Forest não pode iniciar a demolição até que uma solução para o fluxo de torcedores seja definida. E, até que essa resposta esteja entregue, o estádio também não poderá operar acima da capacidade atual.
Projeto pode andar em paralelo e ganhar apoio político
Na prática, o clube pode avançar com a obra e com a solução de acesso ao mesmo tempo. Há ainda uma margem para medidas temporárias por até 18 meses, caso a resposta definitiva demore mais do que a reconstrução do estádio. Isso abre uma janela para que o projeto não fique travado por completo enquanto os estudos continuam.
Até agora, o Nottingham Forest não anunciou qual caminho pretende seguir. Mas a prefeita da região de East Midlands, Claire Ward, sinalizou que seu gabinete pode entrar na discussão caso haja um caso de negócio convincente e detalhes suficientes para análise. A sinalização não resolve o problema, mas mostra abertura política para destravar parte do financiamento.
Do lado dos torcedores, o tom é de pragmatismo. Asif Naidu, presidente do Nottingham Forest Supporters’ Trust, afirmou que os desafios de deslocamento não parecem insuperáveis. Para ele, a saída passa por cooperação entre clube, associados e demais apoiadores, em busca de soluções que permitam superar as barreiras sem perder de vista o crescimento da estrutura.