Irmãos Fisher vivem a chance de defender Uganda e podem fazer história
Os irmãos Fisher estão perto de transformar um sonho de seleção em uma história incomum no futebol internacional. Olly e Seb, dupla juvenil do Partick Thistle, podem vestir a camisa de Uganda, e não a da Escócia, país onde nasceram e cresceram. A ligação com a nação africana vem pela mãe, Kate, nascida lá, o que abriu caminho para uma convocação que pegou os dois de surpresa.
Olly, goleiro de 18 anos, explicou que os avós moraram em Uganda por alguns anos, depois que o avô foi para lá trabalhar em uma escola. A família sempre manteve esse vínculo vivo por meio de relatos e memórias, o que ajuda a explicar o interesse em representar o país. Ainda assim, para os irmãos, a possibilidade parecia distante até poucos meses atrás.
Convocação de Uganda pegou os dois de surpresa
O interesse da federação ugandense surgiu após uma conversa casual, em um jogo na Nigéria, entre o pai dos meninos e um consultor de futebol. Cerca de seis meses depois, a oportunidade começou a ganhar corpo. No início de agosto, os irmãos receberam o convite para participar das concentrações das seleções sub-20 e sub-17.
Os dois passaram a última semana em Jinja, no leste de Uganda, e ainda devem permanecer mais uma semana com o grupo. Seb, atacante de 16 anos, disse que mal conseguiu acreditar no chamado. Olly teve reação parecida e resumiu o momento como uma mistura de emoção e choque, já que não imaginava que essa possibilidade pudesse existir.
A mãe, Kate, também recebeu a notícia com entusiasmo, segundo os próprios filhos. Seb contou que ela ficou “ecstatic”, ou seja, muito feliz, e enxergou a experiência como algo valioso para os dois. Em casos assim, a dimensão familiar pesa tanto quanto a esportiva: vestir uma seleção também significa mergulhar em uma identidade que vai além do campo.
Irmãos Fisher e a chance de entrar para a história de Uganda
Há ainda um detalhe que torna a situação ainda mais singular. Laryea Kingston, ex-jogador de Hearts e da seleção de Gana, comanda atualmente a seleção sub-20 de Uganda. Foi ele quem levantou a possibilidade de os irmãos se tornarem os primeiros jogadores brancos a defender o país africano.
Seb contou que Kingston afirmou que a presença dos dois seria histórica. Olly concordou com a dimensão do feito, dizendo que algo assim nunca aconteceu antes. A ideia, portanto, não é apenas simbólica: ela representaria um marco raro na trajetória da seleção de Uganda e na própria diversidade do futebol internacional.
Para os Fisher, esse caminho também ganhou peso emocional por causa das histórias ouvidas desde a infância. Eles cresceram ouvindo referências sobre Uganda contadas pelos avós, o que ajuda a criar uma ligação afetiva com o país. Agora, essa relação deixou o campo da memória e entrou de vez na rotina de treinamento.
Adaptação ao calor e retorno ao Partick Thistle
Mesmo sob condições de calor forte, os irmãos dizem ter sido muito bem recebidos. Seb destacou a postura acolhedora do grupo e lembrou que alguns companheiros até vêm da mesma região em que a mãe nasceu. Esse tipo de proximidade ajuda a acelerar a adaptação e reduz a sensação de estranhamento em um ambiente novo.
Depois dessa experiência, os dois devem voltar à Escócia para retomar a rotina com o Partick Thistle, conciliando futebol com escola e universidade. A intenção, porém, é manter o contato com a nova seleção e retornar quando surgirem próximas convocações. Olly mira a possibilidade de disputar a Copa Africana de Nações Sub-20, caso Uganda se classifique no início do próximo ano.
Seb, por sua vez, pode aparecer no grupo sub-17 para a Copa do Mundo da categoria, marcada para novembro, no Catar, com a seleção ugandense. Para ele, atuar em um ambiente internacional acelera o desenvolvimento de qualquer jovem jogador. E essa experiência, além de especial, pode ter reflexo direto no desempenho dos dois quando voltarem a defender o clube na Escócia, em um percurso que agora inclui um capítulo improvável e bastante singular.