VAR volta a cercar o Arsenal em início perfeito na Premier League
VAR no Arsenal tem sido um dos temas mais quentes neste começo de temporada. Mesmo com quatro vitórias em quatro jogos na defesa do título da Premier League, os Gunners já viveram uma sequência de lances que colocaram a arbitragem no centro da conversa.
O time de Mikel Arteta estreou na liga com uma vitória segura sobre o Coventry City, sem grandes controvérsias. Depois disso, porém, a equipe passou a acumular episódios em que o vídeo entrou em cena, ora para corrigir decisões, ora para reforçar a sensação de que o julgamento em campo não esteve à altura do lance.
VAR no Arsenal e o pênalti negado contra o Aston Villa
O primeiro grande ruído veio na vitória apertada sobre o Aston Villa, em Villa Park. Nos minutos finais, o Arsenal pediu pênalti em um lance envolvendo Ian Maatsen e Bruno Guimarães, mas o árbitro Jarred Gillett mandou seguir. O lateral do Villa, que já tinha cartão amarelo, atingiu o adversário dentro da área e a equipe londrina reclamou muito.
A checagem de vídeo manteve a marcação de campo naquele momento. Mais tarde, contudo, o painel de Incidente-Chave da Partida reconheceu o erro e considerou que a penalidade deveria ter sido assinalada. O parecer ainda foi além: apontou que a intervenção do VAR seria necessária, já que o lance configurou um erro claro e óbvio, além de citar que a jogada merecia um segundo cartão para Maatsen.
Na prática, foi uma admissão rara e significativa. O Arsenal saiu com os três pontos, mas também com a sensação de que poderia ter resolvido o jogo antes. Em uma corrida de título, detalhes assim costumam pesar mais do que parecem no momento.
VAR no Arsenal também gerou confusão no duelo com o Chelsea
Na partida seguinte de impacto, a vitória sobre o Chelsea teve outro episódio importante, desta vez com desfecho favorável ao Arsenal. O empate de Riccardo Calafiori foi anulado depois de revisão, porque Ezri Konsa estava em posição irregular no lance que antecedeu a finalização.
A explicação oficial foi rápida e objetiva: o VAR revisou o gol e concluiu que Konsa participava da construção da jogada em impedimento, recomendando a anulação. O anúncio, publicado pelo centro de partidas da Premier League, encerrou a dúvida técnica, mas não evitou a confusão inicial nas cabines de transmissão.
Gary Neville, comentarista da Sky Sports, primeiro interpretou o caso como uma possível interferência de Kai Havertz sobre o goleiro Emi Martinez. Depois, ao perceber que Konsa havia tocado na bola, corrigiu a leitura ao vivo e reconheceu que a decisão estava certa. Foi um daqueles lances em que o vídeo demora alguns segundos, mas acaba deixando a resposta mais sólida do que a impressão imediata.
Na mesma partida, o Arsenal ainda foi beneficiado por uma revisão que não gerou punição contra Gabriel Magalhães. Em um bate-rebate na área, o zagueiro pareceu acertar a cabeça de Martínez depois de dividir a bola, mas o ex-árbitro Dermot Gallagher avaliou que não havia motivo para nova intervenção.
Para Gallagher, o movimento do brasileiro aconteceu na tentativa de chutar a bola e o contato com o goleiro surgiu no próprio desfecho da disputa. Na visão dele, a ação se manteve dentro do limite da jogada. Foi outro exemplo de como, no detalhe, o VAR pode tanto aliviar a pressão quanto aumentar o debate.
Arteta explode após pênalti marcado para o Sunderland
Se o Arsenal já vinha acumulando discussões com o vídeo, a vitória recente sobre o Sunderland adicionou mais combustível à insatisfação. O rival teve um pênalti marcado a seu favor, e o lance provocou forte reação do lado londrino, sobretudo de Mikel Arteta.
David Raya defendeu a cobrança de Enzo Le Fée, depois de a arbitragem entender que houve falta de Konsa sobre Dan Ballard. Ainda assim, o treinador do Arsenal deixou claro que não concordou com a marcação. Em tom duro, classificou a decisão como inaceitável e afirmou que ela poderia mudar o rumo da temporada.
Arteta também disse ter revisto o lance várias vezes para confirmar sua leitura. Para ele, não houve pênalti em hipótese alguma, em nenhum contexto e em nenhuma liga. A fala expôs não só a irritação do momento, mas também a preocupação de um técnico que enxerga esses episódios como possíveis pontos de virada em uma campanha longa.
Num campeonato tão equilibrado, a sequência de decisões envolvendo o Arsenal ganha peso rapidamente. Mesmo com a campanha perfeita até aqui, o clube já vive a mistura clássica de protagonismo e polêmica que costuma acompanhar os líderes. E, quando o topo da tabela começa a ser definido por margens pequenas, cada revisão de VAR no Arsenal passa a ser observada com atenção redobrada.
O cenário, por ora, é de um time forte em campo e constantemente testado fora dele. O Arsenal segue vencendo, mas também segue cercado por lances que alimentam discussão, revisões e até retratações oficiais. Em uma disputa de título, isso pode não alterar um resultado isolado, porém ajuda a moldar o clima ao redor da equipe.
Para quem acompanha a Premier League, a mensagem é clara: o Arsenal não está apenas jogando partidas importantes, está também vivendo uma temporada em que a arbitragem virou protagonista repetida. E, em meio a tanta análise, o clube de Arteta precisa continuar focado no que mais importa para manter a vantagem: ganhar jogos e reduzir ao máximo a margem para decisões externas.